Abertas inscrições para coletânea de escrituras para mulheres negras

COLETANEA JEOVANIA

Por Mabel Dias

Começaram nesta quinta-feira (2), as inscrições para a coletânea literária “Escrituras negras: a mulher que reluz em mim”, organizada pela escritora e professora de Filosofia, Jeovania Pinheiro.

Os textos podem ser poemas, contos ou crônicas escritos em português por autoras negras, profissionais ou iniciantes e devem ter como tema “Mulheres negras e suas vivências”.

Os nomes das selecionadas será divulgado no dia 10 de fevereiro na página da organizadora no facebook e o lançamento da coletânea está prevista para acontecer no mês de maio, durante o Mulherio das Letras em Portugal.

Mais informações e o regulamento completo através do e-mail: jeovaniapoesia@gmail.com

Sobre a organizadora: Jeovania Pinheiro começou o caminho da escrita a partir dos seis anos de idade, e na adolescência começou a estudar poesia. Ela já publicou cinco livros: Palavra poética(poesia),  Poeticamente entre versos e bocas( poesia),  A-M-O-R (poesia),  Quem abriu a boca da pedra? (Contos) e o Livro das Marias (organização da coletânea de poesias e contos)

DOCUMENTÁRIO VAI MOSTRAR VIDA DE TRANS E TRAVESTIS NA CIDADE DE CAJAZEIRAS

Por Mabel Dias

Existirmos, a que será que se destina?” é o nome do documentário que começa a ser gravado nesta quarta-feira (04) na cidade de Cajazeiras, dirigido por uma mulher trans, Joyce Montinelly. O projeto foi aprovado no edital do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura (Fuminc) 2018, numa iniciativa da Prefeitura Municipal de Cajazeiras, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

O documentário vai contar a história de três pessoas da comunidade T do município de Cajazeiras, entre elas, a de Joyce. “Será uma ferramenta de visibilidade e sensibilização da sociedade para mostrar os estigmas sofridos por pessoas trans e travestis, buscando contar sua vida, seus sonhos e objetivos, com dignidade”, conta a diretora.

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 Joyce Montinelly

Através do vídeo, Joyce Montinelly, visa, também, desmistificar preconceitos; garantir, através da arte, inclusão e respeito às trans e travestis e mostrar que o cotidiano dessas pessoas merece ser conhecido. “Com este documentário quero trazer a nossa história a partir do nosso olhar e da nossa fala, mostrar a vulnerabilidade da população de travestis e transexuais (femininos e masculinos); denunciar a violência sofrida por esta comunidade, e compreender as formas de exclusão e preconceito que tem legitimado práticas de violência contra a identidade de gênero desta população.”, ressalta.

O roteiro foi elaborado durante o JABRE – Laboratório Para Jovens Roteiristas, que é um projeto da UFPB e teve a sua versão 2019 realizada na cidade de Nazarezinho, sertão paraibano.

Editora Arribaçã completa um ano com promoções e lançamento de concurso

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Livros lançados pela Arribaçã editora

 

A Arribaçã Editora comemora, neste mês de setembro, seu primeiro ano de atividades. Instalada em Cajazeiras, Alto Sertão da Paraíba, a editora já publicou sete livros e tem mais três sendo finalizados nos mais diversos gêneros: romance, poesia, novela, acadêmico, crônicas, biografia. O primeiro ano de criação da Arribaçã será marcado por promoções em suas redes sociais e pelo lançamento de um concurso literário.

A grande promoção nas redes sociais é o sorteio de um combo com todos os livros da Arribaçã publicados até agora. A promoção será feita todo o mês de setembro no Instagram da editora e sorteará dois combos para os participantes.

Quanto ao concurso literário, ele será lançado no final do mês em data ainda ser definida. Todos os detalhes do concurso serão divulgados quando do lançamento e os interessados podem acompanhar pelas redes sociais da Arribaçã (Instagram, Youtube, Twitter e Facebook).

Os livros publicados pela Arribaçã são: Acendedor de relâmpagos (Políbio Alves), A doida paixão de um doido (Geraldo Bernardo), Antes de ser blues (Fidélia Cassandra), Travessuras do desejo em Grande Sertão: Veredas (Paulo Tarso Cabral Medeiros), Sinais (Emília Guerra), Nenhum espelho reflete seu rosto (Rosângela Vieira Rocha) e Antônio Joaquim do Couto Cartaxo e a formação de Cajazeiras (Francisco Sales Cartaxo Rolim).

Tem em fase de finalização os livros: Cajazeiras, uma aldeia poética (Irismar di Lyra), O mistério do galinheiro (Naldinho Braga) e Identidade e realidade: artigos e crônicas (Dermival Moreira dos Anjos).

Os jornalistas e poetas Lenilson Oliveira e Linaldo Guedes são os responsáveis pela Arribaçã Editora, que conta em seu quadro fixo com programadores visuais, ilustradores e designers. O email para contato é arribacaeditora@gmail.com e o sitewww.arribacaeditora.com.br

Segundo os editores, a Arribaçã está aberta a propostas de parcerias em todo o país, não só da Paraíba. “Trabalhamos com livros literários, de contos, romances, novelas e poesia. Mas também com livros acadêmicos ou jornalísticos, biografias e memórias. O que queremos é abrir mais um canal de produção de livros na Paraíba, mas com o alcance para todas as regiões do país. Livros com a qualidade editorial de qualquer editora que esteja trabalhando no mercado brasileiro, sem dever a ninguém”, observam.

Linaldo Guedes é poeta e jornalista. Nasceu em Cajazeiras, alto sertão da Paraíba, em 1968, para onde retornou no final de 2017, após 38 anos em João Pessoa. Como jornalista atuou em praticamente todos os órgãos de imprensa da Paraíba. Atualmente é repórter de Cultura do jornal A União. Como poeta, publicou os livros “Os zumbis também escutam blues e outros poemas” (1998), “Intervalo Lírico” (2005), “Metáforas para um duelo no sertão” (2012) e “Tara e outros otimismos” (2016). Lançou, ainda, “Receitas de como se tornar um bom escritor” (2015) e participou de antologias e livros de outros autores. Lançou em 2017 “O Nirvana do Eu: Os diálogos entre a poesia de Augusto dos Anjos e a doutrina budista” e “Não temos wi-fi”, em parceria com Lau Siqueira, Cyelle Carmem e Letícia Palmeira. É graduado em Letras e tem mestrado em Ciências da Religião. É membro-fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras (Acal), ocupando a cadeira de número, cujo patrono é Dom Moisés Coelho.

Lenilson Oliveira, também cajazeirense e nascido em 1969, tem experiências nas áreas de comunicação e magistério, com passagens por escolas de ensino fundamental e médio. Ex-diretor administrativo da Rádio Oeste da Paraíba, ex-editor do Jornal CajáFolha, ex-colaborador de jornais e revistas locais e estaduais, diretor e editor da Revista Destaque e do site DestaquePB em Cajazeiras. Licenciado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Faculdade São Francisco da Paraíba (FASP). Autor do livro de poesias “Réquiem para uma flor” (A União, 1991). M membro-fundador da Academia Cajazeirense de Artes e Letras (Acal), ocupa a cadeira de número 13, que tem como patronesse a poeta Teté Assis.

Da Assessoria

Thaïs Kisuki lança segundo volume de “Olga, a sexóloga”

Para ser publicado, a quadrinista lançou financiamento coletivo no Catarse

Por Mabel Dias e Thais Kisukiolga

A quadrinista Thaís Kisuki está com uma produção quentinha para ganhar o mundo dos quadrinhos. É a segunda edição de “Olga, a sexóloga”, que chega em 2019 pela Editora Cubzac, de Recife. Para se tornar realidade, Thaís está com um financiamento coletivo, através da plataforma catarse.me/olga2. A campanha vai até 12 de setembro.

Tudo começou no fim de 2009, quando a paraibana Thaïs Kisuki criou a sua primeira personagem: a protagonista das histórias em quadrinhos “Olga, a sexóloga”, uma mulher polêmica e sem papas na língua que está sempre muito antenada em assuntos como política, feminismo e religião.

O primeiro compilado de quadrinhos de Olga foi lançado de forma independente pela autora em 2015, com tiras selecionadas desses seis primeiros anos – trabalho que chegou a ser indicado à categoria “Publicação independente de autor” do Troféu HQ Mix e rendeu no ano seguinte um convite para Thaïs fazer parte da página de tiras diárias do jornal Folha de S. Paulo, quando o cartunista Angeli se aposentou desse espaço.

Enquanto o 10º aniversário de Olga se aproxima, a quadrinista resolveu reunir alguns do novos quadrinhos da sexóloga “taradóloga” que foram produzidos nos últimos anos, abrangendo inclusive o recente período conturbado da história do Brasil.

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Sobre a autora

Quadrinista, Thaïs Gualberto (ou Kisuki) é formada em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande. Começou a se dedicar às histórias em quadrinhos em 2009, quando criou a personagem “Olga, a sexóloga”. Em 2010 formou o Coletivo WC. Em 2012 participou da formação do projeto Inverna, uma publicação pensada para divulgar o que vinha sendo produzido pelas quadrinistas brasileiras. Publicou tirinhas nos jornais A União, Folha de S. Paulo, O Beltrano, foi colaboradora do Lady’s Comics e teve sua primeira exposição solo realizada na Aliança Francesa de João Pessoa em 2014. No fim do mesmo ano tornou-se Coordenadora de Quadrinhos da Fundação Espaço Cultural da Paraíba e seu último cargo no Espaço Cultural foi como Chefe do Núcleo da Gibiteca. Atualmente faz parte dos grupos Políticas e Quadrilha.

Contato: thais@kisuki.me

Defensoras dos direitos humanos são homenageadas na Feira Literária de Paraty

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A vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, será uma das homenageadas

Por Jéssica Balbino

Em parceria com o Barco Pirata e o podcast Rabiscos, Ocupa Beuvaior lança série artística de lambe-lambes interativos na ação “De Rosa Luxemburgo à Marielle Franco”

Silenciar um movimento popular atirando de um avião ao mar, ainda viva, a mulher que o lidera, poderia muito bem ser o enredo principal de um esperado lançamento literário na Feira Literária de Paraty, a Flip deste ano. Mas não é. É a história real de Esther Ballestrino, fundadora da Associação Mães da Praça de Maio, na Argentina. E é somente uma das histórias reais de mulheres ativistas pelos direitos humanos, que foram covardemente assassinadas por governos e sistemas autoritários. Histórias que serão homenageadas pelo movimento feminista Ocupa Beauvoir e pela Flipei – Festa Literárias Pirata da Editoras Independentes, durante a festa neste ano.

Algumas destas ativistas já povoam o imaginário dos brasileiros, como Rosa de Luxemburgo, Marielle Franco, Marsha Johnson e Dandara. Outras que ainda beiram o anonimato aqui nos trópicos, mas que foram importantíssimas nas transformações de suas comunidades, como a ambientalista hondurenha Berta Cáceres, a parteira de origem Ixil Maia, na Guatemala, Juana Santiago, a pescadora brasileira, Nilce Magalhães, líder do Movimento dos atingidos por Barragens, além da brasileira Luana Barbosa e da jornalista anarco-feminista japonesa, Itô Noé.

Segundo a idealizadora do movimento Ocupa Beauvoir, Leila Vilhena“encontrar informações sobre estas mulheres não foi nada fácil, infelizmente. Portanto, temos um imenso orgulho de podermos fazer esta ação e trazer a um lugar de destaque, a existência destas ativistas”. Ela destaca ainda que a maioria dos assassinatos não teve a investigação concluída e, consequentemente, não tiveram seus autores punidos. “O mais comum nos noticiários sobre a morte dessas ativistas são afirmações como ‘os suspeitos não foram encontrados’. Isso demonstra claramente a reincidência da impunidade dos assassinos de ativistas”, destaca Leila.

A iniciativa tem a direção de arte de Leila Vilhena e Júlia Vasconcelos, que também são responsáveis pela curadoria, juntamente com Gabriela Acerbi e a Flávia Lago. As ilustrações foram criadas por Paloma Barbosa, Gabi Sakata, Raquel Thomé, Raissa Jalkh, Angélica Menchini, Alyne Dellacqua, Mariane Brusetti, Bruna Rison, Clara Moreira e Thaty Mendonça. A composição gráfica ficou por conta da designer Leeh Ortiz.

Para essa produção a Ocupa Beauvoir contou com uma parceria da plataforma Margens e do podcast Rabiscos, da jornalista Jéssica Balbino. Dez escritoras contemporâneas foram convidadas a escreverem uma carta a cada uma dessas mulheres homenageadas, sendo elas: Keyty Medeiros; Estela Rocha; Bell Puã; Cristina Judar; Giovana Madalosso; Letícia Brito; Calí Boreaz; Preta Rara; Luiza Romão; Sara Donato. As cartas foram lidas pelas próprias escritoras e gravadas em formato de podcast, juntamente com uma entrevista exclusiva. “Escrever para o passado é uma simbologia, que nos leva a refletir justamente em como estamos lutando aqui, no presente”, destacou a jornalista. Com o uso da tecnologia de realidade aumentada QR Code, toda a série de lambe-lambes servirá como porta de entrada para estes conteúdos, que serão espalhados pelos muros da cidade.

“Esther, eu vejo seu corpo chegando na praia. É 20 de dezembro de 1977, um dia qualquer no balneário argentino de Santa Teresita. Um dia qualquer se não fosse cena do corpo surgindo. Braços, pernas e cabelos dançando inertes na marola. Você não vem sozinha. Está junta de outras companheiras. Vão chegando como um triste corpo de baile. Rodopiando estancando na areia. Veranistas se aproximam. Imagino que se façam a mesma pergunta. Mas pouco tem coragem de falar em voz alta. Você sabe, é tempo de silêncios por esses mares do sul. Em silencio os militares recolhem o seu corpo”.

Trecho da carta da escritora Giovana Madalosso à Esther Ballestrino (fundadora da Associação Mães da Praça de Março).

Durante toda a programação no Barco Pirata a Ocupa Beauvoir fará a distribuição gratuita da série artística de lambe-lambes interativos em homenagem a dez mulheres ativistas que foram brutalmente assassinadas por causa de suas lutas. E no sábado, dia 13 de julho, as idealizadoras fazem uma roda de conversa sobre o processo de construção desta ação, juntamente com algumas das escritoras convidadas, que contarão sobre esse processo de conhecer e escrever para estas mulheres.

Sobre a Ocupa Beauvoir

A Ocupa Beauvoir é um movimento de apoio e fomento ao ativismo contra a desigualdade de gênero no mercado literário, dedicado a estimular o uso de arte urbana como manifesto e também como meio de acesso a leitura de escritoras mulheres.  Foi criado em 2018, ano em que foi selecionado pelo programa Laboratório de Inovação Cidadã, promovido pela Secretaria Íbero-americana, em Rosário, Argentina. Para 2019 o movimento feminista pretende ainda promover intervenções urbanas inspiradas em escritas mineiras e mulheres da ciência e da tecnologia. Acompanhem pelo @beauvoirocupa.

Compositoras paraibanas destacam-se em Festival de Música da Paraíba e consolidam suas carreiras no cenário cultural

Elas estão organizando um coletivo com mulheres compositoras de João Pessoa e Campina Grande

Por Mabel Dias

A participação das mulheres na cena musical paraibana tem crescido consideravelmente. São festivais, coletivos, bandas, grupos onde elas têm sido protagonistas, ocupando seus espaços de maneira definitiva e com posicionamentos marcantes sobre o ser mulher neste meio, quebrando preconceitos. No Festival de Música da Paraíba, realizado em maio pelo Governo do estado, através da Funesc, Rádio Tabajara e Secretaria de Comunicação, essa presença feminina foi marcante, tanto de compositoras quanto de cantoras mostrando o seu talento para todo o estado. Entre as participantes estão Aline Mebiah, Ruanna Gonçalves, Tathy Martins e Nara Santos.

A força da mulher negra – Aline Bezerra nome artístico Mebiah, começou a escrever música e poesias com apenas 18 anos de idade. As referências para suas letras são as mulheres negras. “Minhas composições vêm dessa força, de mostrar o lado de viver fora dos padrões, me inspiro em coisas que eu vivi, buscando passar uma mensagem de auto-estima feminina”, revela.

Este não é o primeiro festival que Mebiah participou. Ela já esteve no Campo Minado, que foi o primeiro festival de mulheres do hip hop realizado em João Pessoa em 2018 e o Festival Grito, que aconteceu este ano. “Sinto um impacto muito grande ao participar de festivais. São muitos artistas e um público diverso, o que dá uma oportunidade para as pessoas conhecerem melhor seu trabalho, é a maneira rica de conhecer um artista, é um clima festivo de diversidade, sempre tem uma galera de todas as cores, formatos, ideias, tamanhos, são eles que dão vida a cena.”, afirma a cantora. A primeira gravação de Aline Mebiah foi uma participação como backing vocal na música “Memórias de um louco”, do cantor Jeff Lui. Já a sua primeira composição foi “Meus ideais”, música com a qual ela participou no Festival de Música da Paraíba, ficando entre as seis semifinalistas.

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Foto: Wesley Monteiro.

Sobre a crescente participação feminina no cenário musical, Mebiah diz que sempre se sentiu muito sozinha, mas nunca desistiu de seguir em frente. “As mulheres artistas da Paraíba passam por isso, e eu sempre bato na tecla de nunca aceitar o pouco sofá, sempre brigar por mais, a cena precisa ser mais valorizada, abraçada. Grito pelo empoderamento feminino, essa falta de espaço me chateia, daí me posiciono e cobro mesmo, sou do rap e não consigo fazer a linha egípcia e fingir que não estou vendo, é bater de frente é a hora que viro uma diva, sigo o caminho sem se abalar pelo preconceito no meio ainda bastante masculino, só basta ter foco e garra.”, afirma a determinada Mebiah. Atualmente, ela está trabalhando no seu novo álbum, que trará uma mistura de soul, dub e rap, e está sendo produzindo por Pierre Alexander.

A gatuna RuannaUma das vocalistas da banda Gatunas, Ruanna Gonçalves, também foi uma das semifinalistas no Festival. Para ela, foi uma das experiências mais importantes que teve em sua vida, pois foi a pouco mais de um ano que começou a escrever. “Além de ter sido meu primeiro festival como compositora, foi também minha estreia como vocalista. Eu estava bastante ansiosa, pois precisei representar sozinha a minha banda Gatunas, assumindo o vocal logo em um festival grande e disputado por importantes nomes da música paraibana.”

Assumir-se cantora e compositora é algo bem novo para Ruanna, e o retorno que está tendo do público, produtores e colegas da área musical a tem fortalecido para seguir adiante. “Eu já havia participado de outros festivais (por exemplo: festival Grito, Marielle Vive, entre outros), mas sempre na função de guitarrista ou pianista e backing vocal. Atualmente, eu e a contrabaixista Morgana Morais, que também é compositora, decidimos tomar a responsabilidade dos vocais de Gatunas.”, informa.

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Foto: Funesc

Desde a adolescência Ruanna atua como arranjadora, momento que começou a tocar em bandas, mas era “travada” em relação a escrever. Ela fazia muitas exigências a si mesma, achando sempre que o que escrevia nunca estava bom. “De repente, em uma brincadeira, saiu minha primeira composição e os amigos próximos gostaram, mas eu não levei muito a sério e deixei essa primeira música na “gaveta”. Alguns meses depois, Morgana mostrou o começo de uma letra e eu logo completei, essa música em parceria com Morgana”, conta. Foi aí que surgiu o primeiro lançamento da Gatunas, “Negra de Ginga”.

Ruanna avalia que na Paraíba o cenário para compositoras tem crescido muito e a própria representatividade feminina no festival revelou isso. “Atribuo esse crescimento a projetos que incentivam mulheres artistas a mostrarem suas produções, tais como o projeto IARAS, que é direcionado especificamente a compositoras, e o projeto LIS (Liberdade, Igualdade e Sororidade), que dialoga com diversas manifestações artísticas femininas.”, afirma.

Ela acrescenta ainda que é importante que as mulheres tenham confiança e apresentem suas artes sem medo dos julgamentos. “Além disso, vejo que as mulheres são muito mais reconhecidas quando assumem o papel de cantoras no meio musical, pouco se vê instrumentistas se destacarem na cena local, por exemplo, e acho isso bastante limitante.

Sim, existe machismo, e penso que é algo bastante acentuado na música. Precisamos mostrar o tempo todo que somos boas, que podemos ocupar os palcos, e que isso nada tem a ver com nossa aparência física. Acho que ainda existe muito conservadorismo e quando uma mulher canta em tom de denúncia, utilizando a música como luta por igualdade gênero, tem gente que se incomoda e tenta desqualificar. Mas trabalhamos todos os dias para que consigamos ocupar mais espaços através do nosso som, e que possamos servir de inspiração a outras mulheres.”, reforça Ruanna.

O festival Iaras – Ela não participou do festival de música da Paraíba, mas é um dos nomes de referência no cenário musical feminino. Val Donato tem 14 anos de estrada e é a idealizadora do projeto Iaras, que tem entre suas propostas estimular as mulheres a se expressarem através da arte, com foco maior na música e na escrita. “A gente tenta reunir mulheres nos mais diversos níveis de envolvimento com a arte no mesmo espaço para o exercício da criação artística”, conta a cantora. Assim como suas companheiras da cena musical paraibana, Val Donato percebe uma notória melhora na participação de mulheres, mas que ainda está longe do ideal. “Quando lancei o projeto Iaras tivemos uma boa receptividade, mas ainda precisamos lutar por nossos espaços e essa luta vem surtindo efeitos, pois percebo uma busca muito maior por compositoras”, reforça. O Iaras teve sua primeira edição em 2018 e também contou com a parceria da cantora Glaúcia Lima e as participações de Kalyne Lima, do Sinta Liga Crew, Priscila Santana, Joana Knobe, Katiuscia Lamara, Baque Mulher, As Calungas e Tanto Canto. “Penso que estamos vivendo um bom momento para novas criadoras e artistas darem as caras e se aprimorarem. Este ano estive um tanto ausente do projeto, mas espero conseguir realizar uma bela edição no segundo semestre, com novas oficinas e quem sabe um festival”, adianta.

Val-Donato

A experiente Nara – Foi com a música “Tia Ciata”, que Nara Santos participou do Festival neste ano. A música conta a história de Hilária Batista de Almeida, uma das referências do samba carioca. “Eu já nasci num ambiente musical. Meu pai, Pedro Santos era maestro e compositor e me matriculou na escola de música Antenor Navarro. Foi assim que comecei”, diz Nara. Ela também participou de corais, entre eles, o Voz Ativa. Não foi a primeira vez que Nara esteve em um festival de músicas. Em 2011, ela participou de um organizado pelo Sesc e em 2018, concorreu com sua antiga banda Avuô, ficando em terceiro lugar. Só em 2019, que ela entra como compositora, ficando também entre as finalistas. “Fiquei muito feliz ao saber que estava na final. Eu consegui sedimentar o meu nome como compositora e dentre 250 canções, a minha foi finalista. Foi uma experiência incrível”, conta Nara, que atualmente integra a banda Meu Quintal e o grupo de percussão Sambatucagem, formado só por mulheres.

nara santos

Nara Santos já possui cerca de 30 canções autorais, boa parte ainda não revelada ao público. Ela está empenhada na organização de dois shows: um para mostrar as suas composições e o outro da banda Meu Quintal, que vai lançar seu terceiro CD em 2019. Juntamente a Raab Catarine e Jéssica Melo, Nara está organizando um coletivo formado por compositoras das cidades de Campina Grande e João Pessoa.

O florescer de Tathy Martins – O primeiro contato com a escrita veio através da poesia e das crônicas que escrevia, desde a adolescência. Escrever música começou através do projeto Iaras. A partir daí, Tathy Martins seguiu seu caminho, chegando a ser a cantora da banda Mumbaia. “A primeira música que finalizei foi a que inscrevi no festival da Funesc. Minhas composições falam das minhas experiências de vida e de histórias reais que presenciei nesse tempo que venho me redescobrindo como compositora, fala de empoderamento, amor próprio, relações, sagrado feminino, sobrevivência”, revela. Foi com a composição “Florescer”, que Tathy chegou a semifinal do Festival de Música da Paraíba. “Inscrevi a primeira música que compus, que antes se chamava “Sou Forte, sou Mulher.”
Tathy Martins considera sua chegada ao Festival como um renascimento. “Achei bastante gratificante, subi ao palco depois de uns nove meses.
Deu um nervosismo no início, mas pelo tempo de uma gestação foi o momento de renascimento da Tathy Martins, de florescimento… Fiz muitas amizades, parcerias, aprendi muito, primeira música e primeiro festival e chegar numa final com início de carreira solo é indescritível.”, afirma.

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Foto: Thercles Silva

Dia de Luta: Associação promove conscientização sobre doença falciforme na Paraíba

Por Mabel Dias, com informações de Fabiana Veloso
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Zuma Nunes em palestra da ASSPAH. Foto: Dalmo Oliveira.
Nesta quarta-feira, 19, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. A doença falciforme é uma alteração genética a mais comum no Brasil e no mundo. Estima-se cerca de 2.500 recém-nascidos com a doença por ano no Brasil. E muitas pessoas possuem o traço falciforme e nem sabem disso.
Nesta tarde, a Associação Paraibana de Pessoas com Anemias Hereditárias (ASPPAH-PB), realiza palestras e rodas de diálogo na sala de reuniões do Hospital Arlinda Marques, em Jaguaribe, para conscientizar profissionais da saúde e a população sobre a doença falciforme, diagnósticos e tratamento.
A primeira palestra terá inicio às 14h com o tema “A genética na doença falciforme”, com o farmacêutico e pesquisador, Leonardo Soares; às 15h, a hemopediatra Joacilda Nunes, vai falar sobre “Os cuidados dos pais com a criança com Doença Falciforme”
A doença falciforme (DF) é genética e hereditária, caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos do  sangue (hemácias). Na pessoa com DF, em período de crise, a hemácia modifica o seu formato de arredondada para o formato de foice, o que ocasiona uma dificuldade no carregamento e circulação do oxigênio nos tecidos. Os principais sinais da doença são dores crônicas, infecções e icterícia, que podem ocorrer já no primeiro ano de vida. Para descobrir a doença no recém nascido é feito o teste do pezinho e no adulto o eletroforese.
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas(ONU) estabeleceu o dia 19 de junho como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme com o objetivo de dar visibilidade e reduzir as taxas de mortandade e mortalidade provocadas pela doença. Apesar de existirem cerca de 60 mil pessoas vivendo com a doença no Brasil, poucas pessoas conhecem ou já ouviram falar sobre ela. “Essa data não é importante apenas para as pessoas que convivem com a doença falciforme. Ela é mais relevante para aqueles que não conhecem a patologia”, afirma o jornalista Dalmo Oliveira, que possuiu a doença.
A Doença Falciforme é a hemoglobinopatia hereditária mais comum no Brasil e de maior incidência na população negra. Sua descoberta ocorreu a mais de cem anos, no entanto, por ser considerada uma “doença de negro”, é invisibilizada por questões históricas de racismo institucional e preconceitos.
Dalmo Oliveira, que é ex-coordenador da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme (Fenafal). Ele afirma que a mobilização pretende atingir os profissionais da Saúde. “É uma data para puxar as orelhas dos gestores públicos de Saúde, negligentes e omissos, que fazem vistas grossas para o maior problema de saúde pública da população negra brasileira, causado por uma doença genética e hereditária. A falciforme não é apenas uma doença do sangue. Antes de mais nada ela é uma grave doença social”, ressalta ele.
A associação da Paraíba foi fundada em 2001 com o objetivo principal de reunir as pessoas com hemoglobinopatias hereditárias, promover a trocar de experiências e incentivar políticas públicas para as pessoas com alterações genéticas, entre elas, a da Doença Falciforme.
Este ano, o atual governo federal extinguiu a coordenação do Programa Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme e seu comitê técnico com o equivocado argumento de que a DF seria uma doença rara e, que portanto, não necessitaria de uma política pública e a consequente destinação de recursos para uma minoria de pessoas. Este programa, em menos de vinte anos, conseguiu acabar com a mortandade de bebês e crianças até os cinco anos de idade, deu segurança e qualidade de vida, permitiu àqueles que morreriam na primeira infância se tornarem jovens e adultos produtivos. E alguns conquistaram a cura total através da viabilização do transplante de medula e do apoio governamental.
Essa decisão atinge, pelo menos, 10% da população brasileira que possui a falciforme, sem contar as pessoas que possuem apenas o traço. Muitos não sabem disso e possivelmente terão filhos com a doença falciforme. Para Dinaci Tenório, coordenadora geral da Associação Paraibana de Pessoas com Anemias Hereditárias (ASPPAH-PB), “sem o programa de atenção as pessoas com DF não há futuro para essas pessoas, pois não há mais incentivo as pesquisas.” De acordo com ela, com a frequente negligência no abastecimento de medicamentos da rede pública, o aumento das mortes se torna consequência direta desse descaso e abandono nacional. “Não é por acaso que o nosso slogan deste ano é Luta ou Luto, concluiu”.

Abertas inscrições para curso sobre luta antimanicomial e feminismos

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Por Mabel Dias, com informações de Olívia Almeida

Estão abertas a partir desta segunda-feira (17), as inscrições para o Curso de Extensão “Luta Antimanicomial e Feminismos: discussões de gênero, raça e classe para a Reforma Psiquiátrica brasileira”. As inscrições vão até o dia 05/07/19. Este curso é gratuito e ocorrerá em João Pessoa/PB no período de 10 a 31 agosto de 2019, aos sábados, das 08h às 17h.

O curso é direcionado para profissionais, usuárias/os, familiares e militantes da área da saúde mental, álcool e outras drogas, além de estudantes de graduação e terá a carga horária de 60 horas.

São apenas 50  vagas e quem desejar participar é só se inscrever através deste link: http://twixar.me/rTSn

O curso “Luta Antimanicomial e Feminismos: discussões de gênero, raça e classe para a Reforma Psiquiátrica brasileira” é fruto dos projetos desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisa e Extensão Loucura e Cidadania da Universidade Federal da Paraíba (LouCid/UFPB) em parceria com a Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas – Núcleo Paraíba (RENFA/PB) e com a Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que realizou sua primeira edição nos meses de março e abril deste ano. Para mais informações e dúvidas: pbfeminismosantimanicomiais@gmail.com

Memorial do povo negro de Santa Luzia começa a ser organizado

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Foto: Carmélio Reynaldo

O Memorial do Povo Negro do Vale do Quipauá e Sabugy começa a ser esboçado. Na última sexta-feira 14, ocorreu uma reunião na sede da ONG Café Cultura, em Santa Luzia, na qual foram definidos os primeiros passos para que se concretize a iniciativa que, dentre outros objetivos, pretende dar visibilidade à contribuição dos afrodescendentes para a região.

O Quilombo do Talhado, cuja existência foi difundida Brasil afora por Linduarte Noronha no seu documentário “Aruanda”, é um traço importante dessa presença. Mas, além dele, merecem destaque também o Quilombo da Pitombeira, a centenária Irmandade do Rosário e o resistente Clube 1º de Julho (Clube dos Negros).

A reunião contou com a presença do idealizador do Memorial, José Neves de Assis (Negro Boca); da Presidenta da Irmandade do Rosário, Bernadete Maria da Silva; do vereador Félix Miguel da Silva Júnior; do Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Luzia, Renato Romero de Medeiros; da Diretora de Arquivos da Fundação Casa de José Américo, Lúcia Guerra; de Antônia Cristina da Silva (IHGSL); de Maria Nazareth da Nóbrega Oliveira, representando a Presidência do Clube 1º de Julho; de Paulo Maria Ferreira de Araújo (IHGSL e Café Cultura); Francisco Roberto Ferreira (IHGSL e Café Cultura) e Carmélio Reynaldo Ferreira (Café Cultura).

Uma nova reunião está marcada para o mês de julho, quando os grupos de trabalho definidos nesse primeiro encontro apresentarão os resultados das ações visando a oficialização do Memorial do Povo Negro do Vale do Quipauá e Sabugy, o mapeamento dos troncos familiares dos afrodescendentes da região e a coleta de depoimentos.

Mulheres quilombolas – O programa Semear Internacional, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) estará na cidade de Santa Luzia nos próximos dias para gravar um documentário sobre as mulheres quilombolas da região.  O vídeo contará a trajetória das mulheres que foram deixando o Quilombo do Talhado em direção à cidade sem abandonar a arte da fabricação de louças de barro, desenvolvendo ainda mais a atividade. O grupo recebe apoio do FIDA no estado por meio do projeto Procase.

A produção do curta-metragem ficará na cidade por seis dias, em visitas ao galpão onde as louceiras trabalham com o barro, a sede do quilombo, e colhendo depoimentos de algumas integrantes do grupo, bem como, familiares de Rita Preta, uma das primeiras mulheres a deixar o quilombo há aproximadamente 40 anos.

“O vídeo traz um roteiro que mostrará como a atitude da Rita Preta lá atrás, impactou na vida de tantas mulheres das gerações seguintes. Será um vídeo que abordará a história, as lutas dessas mulheres, o desenvolvimento da atividade com o barro, o reconhecimento e autoafirmação delas como comunidade genuinamente quilombola. Tudo sob a ótica dessas paraibanas guerreiras que hoje orgulham aquele município”, disse o gerente de Comunicação do Semear Internacional e diretor do documentário, Diovanne Filho.

 

Rosângela Vieira Rocha lança livro em João Pessoa sobre relacionamentos virtuais e seus perigos obscuros

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Foto: Arquivo pessoal

Por Mabel Dias

Nenhum espelho reflete seu rosto” é o título do mais novo romance da escritora brasiliense, Rosângela Vieira Rocha, que será lançado nesta terça, dia 11, às 19h, na Budega Arte Café, nos Bancários, João Pessoa.

A publicação tem o selo da editora paraibana Arribaçã, dos jornalistas e poetas, Linaldo Guedes e Lenilson Oliveira, e traz uma história sobre relações tóxicas e abusivas, tema que tem despertado muito interesse, especialmente em tempos de relacionamentos virtuais. “As redes sociais são um terreno muito fértil para pessoas tóxicas agirem sem despertar suspeitas, protegidos pelo anonimato ou perfis falsos. Constituem uma espécie de floresta, onde predadores sociais se sentem muito à vontade. Não que as redes “fabriquem” esses tipos, mas são lugares imprecisos, vagos, autênticos não-lugares em que o ocultamento da identidade é facilitado.”, conta a autora.

O livro conta a história de Helen, uma joalheira que vive uma relação virtual com Ivan, muito intensa, embora fisicamente só tenham estado juntos durante quarenta e poucos dias. Helen fica dilacerada no decorrer dessa relação, que começa como um conto de fadas. “O que se pretende mostrar é a dinâmica dos relacionamentos desses predadores sociais e as saídas possíveis para as vítimas. Para contar a história, é utilizado um recurso engenhoso: um psiquiatra de uma cidade distante, que está tratando uma paciente em estado grave e com quem ele não consegue se comunicar, pede a ajuda de Helen. O leitor acompanha a história através dos e-mails que a joalheira envia ao médico. Ivan tem uma personalidade de estrutura narcisista ou um transtorno de personalidade narcisista. É um perverso, no sentido psicanalítico do termo. Um “serial” que não mata, mas que comete um outro tipo de assassinato, que é o da autoestima, da alegria, da alma de suas presas.”, revela Rosângela.

Para escrever seu mais novo livro, a escritora ouviu dezenas de mulheres que se envolveram em relacionamentos abusivos. Segundo Rosângela Vieira, usualmente há mais homens do que mulheres narcisistas e os casos que ela ouviu foram de mulheres de todas as idades. “Comecei a buscar informação, inicialmente nos vídeos do youtube que tratam exclusivamente do tema. Há alguns muito bons, inclusive, mas senti que eu precisava adquirir um conhecimento mais consistente. Por isso, fui me aprofundando e li vários livros de psicanálise, que me mostraram que o problema é mais complexo do que parecia, à primeira vista. Senti que, como escritora, eu tinha uma responsabilidade de colaborar no desmascaramento desses tipos, pois eles enganam muito bem”, ressalta a escritora. “Nenhum espelho reflete seu rosto” é um livro para todos, mas especialmente dedicado às mulheres. Podemos afirmar que é um alerta para evitar relações tóxicas e violentas, ajudando-as a proteger-se e manterem-se vivas, principalmente em tempos de feminicídios e outros tipos de violência.

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Os próximos lançamentos estão previstos para as cidades de Campina Grande, Brasília e Santo André, em São Paulo.

Rosângela Vieira Rocha está ansiosa para o lançamento do livro na Paraíba e contente pelo surgimento de muitas escritoras na região. Para ela, a literatura brasileira passa por um ótimo momento, e no caso específico da literatura de autoria feminina, “tem ocorrido um verdadeiro boom e isso é maravilhoso. Temos escritoras talentosas idosas, de meia-idade, jovens, algumas quase adolescentes. Mulheres que realmente estão dando e darão mais ainda o que falar, pela qualidade do trabalho literário que fazem. Creio que nos três últimos anos tivemos também um imenso incentivo com a criação do Mulherio das Letras. A ideia semeada pela escritora Maria Valeria Rezende e outras vingou, fincando raízes de uma maneira que não tem mais volta. Nesse curto período, o próprio Mulherio já lançou várias antologias e coletâneas de contos, crônicas, poesias. E isso não vai parar mais. É um movimento riquíssimo, pois fez com que mulheres tímidas, que nunca tinham mostrado os seus trabalhos, decidissem publicá-los. Isso não tem preço.”

Sobre a autora – Rosângela Vieira Rocha nasceu em Inhapim, MG, e mudou-se para Brasília em 1968. Jornalista, escritora e professora aposentada do Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UnB, é advogada e Mestre em Comunicação Social pela ECA/USP. Tem treze livros publicados, para adultos e crianças. “Véspera de Lua”, Editora da UFMG, (romance), 1990, ganhador do Prêmio Nacional de Literatura Editora UFMG – 1988; “Rio das Pedras”, Secretaria de Estado de Cultura, 2002, novela vencedora da Bolsa Brasília de Produção Literária 2001, Menção Especial no Prêmio Graciliano Ramos, da União Brasileira de Escritores, além de ter sido classificada entre os dez finalistas da 4ª. Bienal Nestlé de Literatura Brasileira; “Pupilas Ovais”, (contos), LGE Editora, 2005, selecionado para obter o apoio do FAC/DF; “A festa de Tati” (infantil), Franco Editora, 2008; “Fome de Rosas” (romance), 2009, FAC/Nossa Cidade, “Dias de Santos” e “Heróis” (infantil), Editora Prumo, 2009, “Três contra um” (infantil), Franco Editora, 2011, “Nem tudo foi carnaval”, (juvenil), Editora RHJ, 2012; “Janaína, a bailarina” (infantil), Franco Editora, 2012; “O macaco Felício” (infantil), Editora Cortez, 2014; e “O vestido da condessa” (infantil), Franco Editora, 2014, “O indizível sentido do amor” (romance), 2017, Editora Patuá. Participou de diversas antologias lançadas nacionalmente e seu nome é verbete em dicionários de escritores e escritoras. Contatos: rosavi@uol.com.br

Sobre a Arribaçã Editora

Criada pelos jornalistas e poetas Lenilson Oliveira e Linaldo Guedes, a Arribaçã Editora tem suas raízes fincadas no Alto Sertão da Paraíba, mais especificamente em Cajazeiras. A editora trabalha com obras literárias, acadêmicas, biografias, entre outras. Criada no segundo semestre de 2018, já tem diversos livros publicados. Contatos podem ser feitos na página da editora no Facebook e Instagram ou pelo email: arribacaeditora@gmail.com A editora também tem canal no youtube.