Comunidades quilombolas na Paraíba mantém viva tradições culturais do povo negro

caiana dos criolos
Apresentação do coco de roda do grupo de Caiana dos Criolos.

 

Por Mabel Dias

O coco de roda faz parte da cultura brasileira e na Paraíba esta tradição é cultivada nas comunidades quilombolas, entre elas, Caiana dos Criolos, em Alagoa Grande e Gurugi, no Conde. Em Caiana, existem dois grupos culturais que mantêm vivo, não só o coco de roda, mas também a ciranda. “Um deles é coordenado por Dona Edith, parteira na comunidade e o outro por Severina Luzia, que é a atual presidente da associação em Caiana”, conta Luciene Tavares, professora e gestora da escola do quilombo em Caiana.

O grupo do coco de roda em Caiana dos Criolos existe há mais de 20 anos e já se apresentou em diversas cidades da Paraíba e em outros estados. O público fica encantado com a apresentação do grupo. Nas atividades culturais promovidas pela ONG de Mulheres Negras Bamidelê, em João Pessoa, o grupo organizado por dona Edith sempre se apresenta e fazia a todos e todas dançarem o coco e a ciranda, sob o comando da mestra em cultura.

Além do coco de roda, a comunidade de Caiana dos Criolos também cultiva entre os remanescentes a dança afro, a capoeira e o maculelê.

Atualmente, faz parte do grupo de dona Edith 23 pessoas, entre homens, mulheres e adolescentes, todos moradores da comunidade negra Caiana dos Criolos.

No grupo organizado por Severina participam 18 pessoas.

 

No Conde, existem três quilombos: Mituaçu, Gurugi e Ipiranga. Mituaçu é o que registra a maior quantidade de famílias quilombolas: 300.

O coco de roda em Gurugi é bastante conhecido pela região metropolitana de João Pessoa. As pessoas se mobilizam e organizam caravanas para prestigiar a apresentação do grupo “O novo quilombo”, na comunidade.

O grupo, conta Ana Nascimento, tem 27 componentes e surgiu através dela e de sua mãe, dona Lenita Lina do Nascimento, que já é falecida. “A ideia em organizar o grupo surgiu a partir da história contada pelos mais velhos, que falavam com saudosismo de como era brincada esta festa e que sentiam muito por não existir mais. Nem sequer os instrumentos existiam mais. Com o mestre Luiz de França tivemos o primeiro instrumento e começamos a nos apresentar”, conta Ana.

O coco de roda e a sua história também é ensinado pelo professor Manoel Cosme na escola da comunidade, através do projeto “Clamores Antigos”. As crianças cantam, tocam e dançam coco, ciranda, axé e o maculelê – considerada uma luta e dança – além de terem aula de teatro. “É outra maneira de mantermos viva a nossa cultura”, ressalta Ana.

O grupo de coco de roda “O Novo Quilombo” já se apresentou em diversos estados, entre eles, São Paulo, Bahia, Pernambuco, e na Paraíba, nas cidades de Campina Grande, Cruz do Espirito Santo, Alagoa Grande e em diversas comunidades de João Pessoa. “A receptividade das pessoas para nossa apresentação é sempre positiva”, diz.

Nas apresentações do grupo é cobrado uma taxa simbólica de R$ 5,00. É um meio que eles encontraram para manter o grupo, comprar um instrumento, roupa ou outro material que o Novo Quilombo precise.

Surgimento das comunidades – Diversas histórias são contadas para falar sobre o surgimento da comunidade Caiana dos Criolos, no município de Alagoa Grande, na Paraíba. Entre elas, é que a comunidade surgiu de uma rebelião que aconteceu em Baia da Traição e um casal de escravos fugiu e chegou até o local, formando Caiana. Outra versão é que foram escravos que fugiram da cidade de Areia, no brejo paraibano.

O fato é que Caiana dos Criolos resiste e atualmente conta com 140 famílias que mantem viva as suas tradições culturais, sua história.

No Conde, as comunidades quilombolas foram formadas a partir de sete famílias negras. Os primeiros registros de nascimento estão datados há 194 anos.

 

 

Autor: senhoradaspalavrasblog.wordpress.com

Jornalista pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), integrante do Coletivo Intervozes, produtora e apresentadora do programa Alô, Comunidade na rádio Tabajara AM e em busca de seu lugar ao sol. Email: mabeld38@gmail.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: