14ª edição do Festival Cultural e Gastronômico da Pipa inicia a programação oficial nesta quarta

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Festival Gastronômico em Pipa. Foto: Assessoria.

Da Assessoria

Entre as atrações estão o concurso novos talentos, oficinas, palestras, apresentações culturais e a presença de chefs renomados

Com o tema “Bons Ventos nos Negócios e Sabores”, o Festival Cultural Gastronômico da Pipa dá início à programação da cidade gastronômica no próximo dia 19, e as atividades seguem até o dia 22. A arena principal ficará localizada na Avenida Baía dos Golfinhos, sendo dividida por vilas: Vila dos chefs (onde os chefs convidados comercializarão pratos assinados por eles), Vila da Pipa (com estabelecimentos da Pipa comercializando seus pratos) e Vila de Negócios (com estandes de patrocinadores e fornecedores do mercado local). Entre as atrações programadas estão oficinas gastronômicas, palestras sobre empreendedorismo, shows e ativações culturais, ações integradas com os restaurantes participantes e a presença de chefs convidados cozinhando ao vivo.

O evento tem o compromisso com o progresso da região de Pipa e Tibau do Sul, por meio da integração de manifestações culturais locais e regionais. Como também movimenta a economia local, por atingir turistas de diversos estados e países, que buscam uma combinação de lazer e excelente gastronomia, aliados às belezas naturais dessa praia paradisíaca.

O Concurso Novos Talentos contará com a participação de estudantes de gastronomia do Rio Grande do Norte e de estados vizinhos como Paraíba e Pernambuco. A competição será formada por duplas e os participantes terão que preparar uma entrada, um prato principal ou uma sobremesa com o ingrediente tema desta edição, o milho.  Os pratos serão julgados pela comissão organizadora do evento, formada profissionais da gastronomia e serão premiados os 3 primeiros lugares.

Para que a comunidade possa participar ativamente, o Festival terá o concurso “Melhor Feijão da Pipa”, onde membros da comunidade se inscrevem e apresentam o feijão para uma banca de jurados que faz a degustação às cegas e é premiado o primeiro lugar; e o “Concurso da Melhor Receita com Ostra”, uma parceria com o SEBRAE, que motiva os chefs locais a criarem receitas usando a ostra, produto cultivado localmente, também com premiação para o primeiro lugar. Outro ponto importante será o “Tacho Beneficente”, que nesta edição será comandado pelo Chef Betão e o Chef Cumpade João, com toda a renda revertida para o Projeto Afeto.

A 14ª edição do Festival Gastronômico da Pipa é uma realização do Festival da Pipa, com o patrocínio do Governo do Estado, Governo Cidadão, Banco Mundial, São Braz, SEBRAE, Fecomércio, SENAC, CTSI e Gourmet Expert, com apoio da Prefeitura de Tibau do Sul, Secretaria de Turismo de Tibau do Sul, Conexão Consultoria e Educa Pipa.

PROGRAMAÇÃO GERAL 2018

19/09

Concurso de Novos Talentos – Entradas

14h – “Tortilha do Sertão”  com Alexandre Daher e Cely dos Santos

15h – “Enformadinho Nordestino”  com Antônio Agaildes e Vanessa Pedro

16h – “Fogueira de São João”  com Amanda Ferreira e Patrízio Paddey

17h – “Polenta de Camarão” com Fábio Hiranoyama  e Leandro Carlos

19h30 – “Cheesecake Vegana “  com as chefs Mila e Mary, da Empresa Emes Alimentos Funcionais

20h45 – Help Convida Betão Barbosa, Chef do Tal do Escondidinho

22h –“Drinks – Infusões simples e Xaropes” com Mixologista  Daniel Medeiros (Whiskritório)

23h – Show no Palco Cultural

 

20/09

Concurso de Novos Talentos – Prato Principal

14h – “Sabor Junino”  com José Adelino e Raoni Carbogim

15h – “Caminho do Sol”  com Ricardo de Lima e Samanda Ribeiro

16h – “Comamilho”  com Juliana Bahia e Stella Albuquerque

17h – “Encantos do Abaty” com Alexandre Daher e Cely dos Santos

19h – Momento Empreendedor

19h30 –  “Salada do  Mar com produtos Terroir”,  Chefs Itala Shelda e Priscila Gois – Momento Sebrae

20h45 –  Chef Erik Nako com “Croquete de Caldinho de Mocotó e Camarão”

22h – Concurso do Melhor Feijão de Pipa

23h – Show no Palco Cultural

 

21/09

Concurso de Novos Talentos –  Sobremesas

14h – “Boneca do Engenho”  com Daniel Medeiros e Tadeu Rena

15h – “Mini Naked Junino ”  com Felipe Honorato e Josué Fernandes

16h – “Entremet de Milho”  com Andressa Ribeiro e Lucas Araújo

17h – “Manjar de Milho” com Fausto Laurindo e Gerfferson Thiego

19h – “ Baião, Baião do litoral ao Sertão”  – Tacho beneficente preparado pelos Chefs Betão Barbosa, do Tal do Escondidinho e Cumpade João, da Casa de Cumpade

19h30 –  “ Moqueca de Carne de Sol “ – Chef Angelo Medeiros (SENAC)

20h45 –  “Fava Pantaneira” – Chef Felipe Caran

22h –   Chef Confeiteira Quezia almeida

23h – Show com ‘Os Três Iguais” no Palco Cultural

 

22/09

19h – Oficina com Barista da São Braz, Davi Wagner

19h30 – Rodrigo Chiberium  com o “Salpicão Defumado”

20h45 – Concurso Melhor Receita de Ostra

22h – Chef Cumpade João com o cozido do “É de casa”

23h – Resultado do Concurso Gastronômico da Pipa

23h30 – Show de encerramento com John Gouret’s Band no Palco Cultural

 

Vereadores e movimento feminista de João Pessoa barram aprovação de titulo a Bolsonaro

O movimento feminista da Paraíba ocupou hoje as galerias da Câmara de Vereadores em João Pessoa para impedir a aprovação da concessão de título de cidadania pessoense ao deputado federal Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República.

As mulheres compareceram a Câmara e se solidarizaram com a vereadora do PSB, Sandra Marrocos, que atuou para que a proposta não fosse aprovada pela Casa. Sandra contou com o apoio dos vereadores Humberto Pontes, Tibério Limeira e Marcus Henriques, que também se opõem a concessão deste tipo de homenagem a um parlamentar que traz em seu currículo denúncias de racismo, misoginia e incitação ao ódio e violência. Além disso, os vereadores pontuaram que Bolsonaro nada fez pela cidade de João Pessoa e o regimento da Casa coloca tal ponto como primordial para concessão da honraria.

“Conseguimos estancar essa pauta de hoje porque a consideramos absurda e não há critérios plausíveis para que o deputado receba a maior comenda da Casa do Povo. Estamos prontas e prontos e atentas para fazermos esse debate e votarmos não a esta pauta, com argumentos e consciência. Racistas, machistas não passarão”, afirmou a vereadora.

O vereador do PSDC, Carlão, propositor do título, disse na defesa da proposta que preza pela democracia. No mínimo, incoerente, pois Bolsonaro em suas práticas e discursos, defende a ditadura militar e aqueles que praticaram tortura no período em que durou o regime no Brasil, 21 anos. O herói de Bolsonaro é o General Ustra, responsável por mortes e torturas de ativistas políticos no período da ditadura: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/20/politica/1461180363_636737.html

Além da organização das mulheres pessoenses contra Bolsonaro, mais de um milhão de mulheres de todas as regiões do Brasil se organizam em uma rede social contra ele e apresentam argumentos para não votarem no candidato do PSL. Segundo elas, Bolsonaro, além de não ter preparo enquanto político, representa o fascismo, regime político permeado por intolerância, perseguição e violência e que as mulheres são as principais vítimas deste tipo de sistema. “É só olharmos para história do Brasil e de outros países para vermos o que a extrema-direita causou e causa em relação a nós e as demais minorias”, afirma uma das organizadoras do grupo. Gays, lésbicas, travestis, transexuais também estão se organizando contra Bolsonaro, outro público vitima de seu discurso de ódio.

Confira aqui mais informações sobre Bolsonaro: http://justificando.cartacapital.com.br/2018/04/14/nem-patriota-nem-honesto-nem-cristao-desmitificando-jair-Bolsonaro/

 

 

Encontro discute humanização da assistência obstétrica e neonatal na Paraíba

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Por Marita Brilhante

Pensar o cuidado obstétrico centrado na mulher é o objetivo do II Encontro de Enfermagem Obstétrica e Neonatal da Paraíba (II Eneon-PB), que será realizado de 28 a 30 de agosto, no Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. Com o tema “Diálogos sobre o cuidado sensível e a autonomia das mulheres”, o evento reunirá profissionais e estudantes para discutir propostas de humanização da assistência obstétrica e neonatal.

“O II Eneon é fruto das inquietações que emergem dos processos de trabalho durante a assistência às mulheres na gravidez, parto, pós-parto e puerpério. Presenciamos cotidianamente práticas de cuidado que violam direitos sexuais e reprodutivos, que são naturalizadas nas instituições que prestam assistência obstétrica e reproduzidas e ensinadas nas formações em saúde”, afirma a professora do Curso de Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Waglânia Freitas.

Durante o encontro, os participantes vão discutir temas relacionados à medicalização do corpo feminino e à hospitalização dos partos. “A motivação para este encontro emerge do fato de, nas últimas décadas, termos presenciado uma rápida expansão no desenvolvimento e no uso de  práticas profissionais elaboradas com a intenção de iniciar, corrigir e acelerar o processo fisiológico do parto, sob a justificativa de obter melhores resultados para as mulheres e seus recém-nascidos, e, algumas vezes, para racionalizar padrões de trabalho, no caso do parto hospitalar”, acrescenta Waglânia, que atualmente preside a Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras da Paraíba (Abenfo-PB)

Por meio de uma metodologia baseada na Educação Popular e nas práticas feministas, o II Eneon pretende fomentar o diálogo com a partilha de experiências. A programação contará com oficinas, rodas de conversas, palestras e apresentações de trabalho. Ao final do encontro, os participantes vão elaborar uma Carta de João Pessoa pela Humanização do Parto e do Nascimento, com recomendações de Boas Práticas Obstétricas e do cuidado sensível e autônomo à mulher em todos os ciclos vitais. Haverá ainda uma Tenda do Cuidado, onde os participantes terão acesso a práticas integrativas e complementares.

O II Eneon é realizado pela Abenfo-PB, tendo em sua comissão organizadora os projetos de extensão universitária Roda Bem Gestar (DESC/CCS/UFPB) e Partejar (CCM/UFPB), o Grupo de Estudos em Direitos Humanos e Saúde Mental (UFPB) e o Coletivo pela Humanização do Parto e do Nascimento na Paraíba. O evento conta ainda com o apoio do Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFPB) e do Conselho Federal de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB).

Para se inscrever e acessar o edital para envio de trabalhos, acesse o site: abenfopb.com.br

 

 

 

Roda de diálogo discute segurança digital e ação política das mulheres

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A Roda de Diálogo Segurança Digital Feminista: cuidado e proteção em tempos de criminalização acontece na próxima segunda, 27 de agosto, a partir das 19h, na Sala de Multimídia do Centro de Ciências Jurídicas da UFPB, em João Pessoa. O objetivo é provocar a discussão sobre militância feminista e ação política das mulheres e internet, considerando a proteção e a segurança das mulheres e de defensor@s de direitos humanos dentro e fora da rede.

A roda é aberta a mulheres em todas as suas diferenças e diversidade: negras, lésbicas, trans, indígenas, jovens, adultas, do campo, de periferia, com deficiência, de núcleos acadêmicos, organizadas em redes, coletivos, movimentos sociais.

O debate também pretende envolver pessoas que atuam na defesa dos direitos humanos, considerando a crescente criminalização destes setores,  especialmente após o golpe institucional de 2016. Assim, é urgente o debate sobre como atuar politicamente utilizando a internet, uma realidade que impacta na vida de todas as pessoas, tomando cuidados e colocando em prática mecanismos de proteção dentro e fora da rede.

A roda é uma iniciativa da Universidade Livre Feminista em parceria com diversas organizações: Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB, Marialab, Cunhã Coletivo Feminista, Coletivo Intervozes, Grupo Marias/CDRH, Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA).

Saiba mais sobre segurança digital feminista – Em 2017, a Universidade Livre Feminista, em parceria com diversas organizações, lançou a Guia Prática de Estratégias e Táticas para a Segurança Digital Feminista, buscando informar sobre as ameaças e cuidados mulheres que atuam na internet.

Por sua vez, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social lançou a campanha “Conecte seus Direitos”, em 2017, após diálogos construídos em uma série de ocasiões, como o seminário realizado pelo coletivo em parceria com o Conselho Nacional de Direitos Humanos e o apoio da Fundação Ford. O Intervozes entende que o momento agora é o de avançar em uma discussão sobre a institucionalização desse debate sobre direitos, diversidade e pluralidade, com enfoque nos direitos humanos. Em João Pessoa, o coletivo realizou a primeira oficina no mês de março com mulheres da Casa Lilás, no bairro do Cristo. Logo após, fez outra oficina, desta vez, no II Seminário Mulheres e Universidade, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em julho deste ano. Saiba mais neste link http://intervozes.org.br/mobilize/conecte-seus-direitos/

 

 

Oficina de Criação Literária com Débora Gil Pantaleão está com inscrições abertas

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Escritora Débora Gil Pantaleão. Foto: Milena Medeiros.

 

Por Mabel Dias

Estão abertas as inscrições para a oficina de Criação Literária, com a escritora e poeta, Débora Gil Pantaleão. As inscrições podem ser feitas neste link https://dbora57.typeform.com/to/R4yoE0

A oficina, que faz parte do projeto “Quanto Vale a Oficina?” do Centro Cultural Espaço Mundo, tem início nesta quarta-feira, 22, às 17h, no Espaço Mundo, na praça Antenor Navarro, 53, no Varadouro e terá a duração de três dias. “É a oportunidade de produzir textos em prosa ou poesia, a partir de provocações que levarei para os alunos e alunas”, explica Débora Gil Pantaleão, que também é responsável pela editora Escaleras.

Serão três dias, com carga horária de 2 horas, de intensa criação literária, mas não é preciso participar todos os dias. “Cada dia será independente. Se quiser participar só de um (1) dia, tudo bem, de dois (2), tudo bem também, e se quiser participar dos três (3) dias, melhor ainda.”, informa Débora Gil. Não existe uma taxa de inscrição. No final de cada dia você poderá contribuir com o valor que desejar ou que achar que a oficina merece. A oficineira não verá a quantia de cada participante. Uma caixinha ficará em um local e cada um contribuirá da forma que quiser. No útlimo dia da oficina, sexta-feira, 24, haverá um sarau, com os textos produzidos na oficina.

No sábado, 25, Débora Gil Pantaleão, participa do Projeto Iaras, coordenado pela cantora Val Donato, na cidade de Conde, com a oficina Escrita Criativa, às 14h30.

Conheça um pouco da trajetória de Débora Gil Pantaleão –  é doutoranda, com foco em estudos literários, pelo Programa de Pós Graduação em Letras (PPGL), Universidade Federal da Paraíba e possui graduação e mestrado em Letras. É especialista em psicanálise pelo Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ) e recentemente iniciou uma Formação em Psicanálise pela Sociedade Psicanalítica da Paraíba. No segundo semestre de 2017 ministrou disciplinas em Língua e Literatura, como Professora Substituta, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Escritora, publicou o livro Se eu tivesse alma em 2015, versão ebook, pela Cia do eBook, e a versão impressa saiu em 2016, pela Editora Benfazeja (Livro esgotado). Sua estréia na prosa foi em 2017 com a novela Causa Morte (Editora Penalux, 2017 – Esgotado) e o livro de contos Nem Uma Vez Uma Voz Humana (Editora Escaleras, 2017). sozinha no cais deserto (Editora Escaleras, 2018) é o seu mais novo livro de poesia. Já participou do Laboratório de Dramaturgia Paraibana, com o diretor Márcio Marciano, do Coletivo de Teatro Alfenim, onde criou várias cenas para teatro; do Laboratório de Vivências Literárias, com o escritor Luiz Ruffato; de dois cursos de roteiro, um iniciante, com Daniel Tavares, outro avançado, com o argentino Miguel Machalski; participou de uma oficina de criação literária pela FUNESC/JPA e fez o curso TOCA em São Paulo, na escola b_arco, ambos com o escritor Marcelino Freire. Além disso, é colaboradora no suplemento Correio das Artes, do jornal A União, e no site Livre Opinião e coeditora da revista independente Malembe. A oficineira também é idealizadora e editora na Escaleras, editora independente da Paraíba, que tem como objetivo a publicação de literatura brasileira contemporânea (autores e autoras), embora tenha como foco propiciar um espaço maior para a edição de autoras mulheres.

Site http://www.editoraescaleras.com

Mídias sociais Instagram/Facebook @editoraescaleras

 

 

 

 

 

 

Coletivos universitários promovem na UFPB debate sobre descriminalização do aborto no Brasil

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A enfermeira Socorro Borges e a advogada popular Leonísia Moura debatem os impactos da criminalização do aborto no Brasil. Foto: Ludmila Correia.

 

Por Mabel Dias

Evento também mostrou solidariedade à pesquisadora Débora Diniz e à pastora luterana Lusmarina Campos

O aborto é uma realidade na vida de centenas de mulheres brasileiras. De acordo com reportagem da revista Istoé, entre 2008 e 2017, estima-se que tenham sido provocados entre 9,5 e 12 milhões de abortos no país e nos períodos entre 2000 e 2016, mais de 4 mil mulheres morreram vítimas de procedimentos mal feitos e de falta de assistência na rede hospitalar.

Devido a isso, diversos debates têm sido realizados por todo o país para discutir a temática do aborto, e mostrar as consequências de sua criminalização e proibição na vida das mulheres, em particular das negras e pobres. Na última sexta-feira, 17, os Coletivos Marias e o Loucura e Cidadania, da Universidade Federal da Paraíba, realizaram um debate no Campus I, em João Pessoa.

Com o tema “Estamos juntas e não vamos nos calar: debate sobre a descriminalização do aborto no Brasil”, a representante da Articulação de Mulheres Brasileiras, a enfermeira Socorro Borges, e a advogada popular e mestra em Ciências Jurídicas, Leonísia Moura mostraram os impactos da criminalização do aborto e as ações que o movimento feminista no Brasil e no mundo tem feito para mudar essa realidade. O evento também foi uma forma de mostrar apoio à pesquisadora do Instituto Anis, Débora Diniz, que tem sido alvo de discursos de ódio na internet e de ameaças de morte por sua defesa em prol da vida das mulheres e a pastora luterana, Lusmarina Campos.

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Debate na UFPB reuniu coletivos feministas e estudantes. Foto: Ludmila Correia.

A advogada Leonísia Moura apresentou o panorama no Congresso Nacional de projetos de lei que visam atacar os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, como o Estatuto do Nascituro e o projeto do ex-deputado federal, Eduardo Cunha, que dificultava o acesso ao atendimento na rede pública de saúde às mulheres vítimas de violência sexual.  “As mulheres não tem liberdade e autonomia sobre seus corpos e há muito tempo não víamos um movimento tão grande no Brasil para lutar por nossos direitos e pela descriminalização do aborto”, afirma. Leonísia foi uma das representantes da Paraíba numa caravana que participou do Festival Pela Vida das Mulheres, no último dia 3 em Brasília, e acompanhou a audiência pública convocada pela ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal para ouvir os argumentos contrários e a favor da descriminalização do aborto no Brasil. “O aborto enquanto crime fere os preceitos fundamentais colocados na Constituição Federal. O nosso sistema penal é seletivo, pois só algumas mulheres são perseguidas e punidas pela prática do aborto.”, ressaltou. A discussão levada ao plenário do STF originou-se de uma ação ajuizada pelo Anis – Instituto de Bioética e o PSOL, pedindo a revisão dos artigos 124 e 126 do Código Penal, que criminalizam o procedimento.

Para a enfermeira e ativista feminista, Socorro Borges, a sociedade brasileira se estrutura com base no racismo, no patriarcado e no capitalismo. “Essas opressões são prejudiciais à vida das mulheres. Só no Brasil, em 2015, meio milhão de mulheres  fizeram um aborto e isso faz parte da vida reprodutiva delas. Não podemos negar isso”, afirma. Socorro Borges considera que avançamos pouco em relação aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no Brasil e que a ação ajuizada pelo PSOL e pelo Anis no STF abre um debate histórico e importante. “Não será prendendo essas mulheres que vamos resolver a situação do aborto no Brasil, é um debate que passa pela saúde pública no país e em que pesquisas mostram o alto índice de mortalidade de mulheres que fazem o aborto. Precisamos discutir isso cada vez mais e acolher as mulheres que fazem o aborto. O Estado brasileiro precisa dar todo o apoio e orientação necessária nesse sentido e não podemos esperar mais dez anos para isso”, defendeu.

O mundo vem pautando e discutindo o tema do aborto nos últimos meses. A Argentina foi palco de várias manifestações convocadas pelo movimento feminista local para aprovar a descriminalização do aborto no país. No Chile, as mulheres tomaram as ruas pedindo a liberação para todos os casos, e em maio, na Irlanda, um referendo popular aprovou a legalização naquele país. Em tempo: a Irlanda é um país com forte presença católica. No Brasil, o aborto só é permitido em casos de estupro, risco de vida da gestante ou quando o feto apresenta anencefalia (má formação caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana).

Nísia Floresta é a homenageada do I Encontro Regional do Mulherio das Letras em Recife

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Arte por Gabriela Araújo

Por Mabel Dias

De 31 de agosto a 02 de setembro, as mulheres das letras da região nordeste do Brasil estarão reunidas na cidade do Recife, no I Encontro Regional do Mulherio das Letras. O encontro está sendo organizado de maneira colaborativa entre as escritoras do nordeste e contará com a realização de debates, oficinas e rodas de diálogos.

A homenageada deste primeiro encontro será a escritora e professora do Rio Grande do Norte, Nísia Floresta Brasileira Augusta, considerada a primeira educadora feminista no Brasil no século XIX. Insatisfeita com a falta de acesso, a má qualidade e a perspectiva patriarcal do ensino para as meninas em sua época, Nísia Floresta criou em 1838 uma escola para elas. Enquanto outras escolas para mulheres preocupavam-se basicamente com costura e boas maneiras, a de Nísia ensinava línguas, ciências naturais e sociais, matemática e artes, além de desenvolver métodos pedagógicos inovadores. Uma afronta à ideologia dominante de que esses saberes caberiam somente aos homens, restando às mulheres aprenderem os cuidados do “lar” e as virtudes morais de uma boa mãe e esposa. Nísia Floresta nasceu em 12 de outubro de 1810, na cidade de Papari, Rio Grande do Norte, que hoje leva seu nome. Seu nome verdadeiro é Dionísia Gonçalves Pinto. A educadora, escritora e poeta viveu em diferentes estados brasileiros e na Europa e faleceu em 1885.

“A ideia em realizar o Mulherio Nordeste surgiu ainda no final do encontro nacional, que aconteceu em João Pessoa, em 2017. E depois em conversas de mulheres da PB, PE e RN, a ideia foi tomando forma. Achamos importante para incluir outras pautas que são mais específicas da região.”, explica a produtora cultural, Valeska Asfora.

No Encontro Nacional do Mulherio em 2017, a homenageada foi a escritora maranhense, Maria Firmina dos Reis. No Mulherio Nordeste, a  escolha foi realizada através de uma enquete realizada com as participantes no grupo em uma rede social e o nome de Nísia Floresta foi o mais votado.

“O processo para escolha do nome de Nísia para ser homenageada no Mulherio Nordeste foi realizado de forma colaborativa. Pedimos sugestões de nomes e as mulheres foram dando suas sugestões. Colocamos os nomes para votação. Nísia ganhou. Foi assim. Nísia tem sua história de vida relacionada às causas de luta pelos direitos da mulher e também foi escritora”, explica Patrícia Vasconcelos, do Mulherio em Pernambuco.