Solange Rocha, uma referência na luta das mulheres negras brasileiras

 Por  Mabel Dias

*com colaboração de Thamara Duarte

Na universidade, nas ruas, nos movimentos sociais. Todos os espaços são importantes para ocupar e buscar a inserção da população negra como protagonista de sua história. É dessa forma que a professora universitária Solange Rocha começou a atuar, e pautar sua trajetória como ativista, a partir de 1984, quando ocorriam as mobilizações públicas e políticas em defesa das Diretas Já!, em todos os estados do Brasil.

Três anos depois, em 1987, Solange entrou na universidade para fazer graduação no curso de História. Na época, morava em Londrina, Paraná, sua terra natal, e com muita luta e estudos conseguiu uma vaga na Universidade Estadual de Londrina. “De fato, um dos momentos mais felizes de minha vida foi a aprovação no Vestibular em 1987, na UEL.  Foi um período de várias superações, pois, além de ter enfrentado discriminações raciais e dificuldades financeiras, também me tornei mãe, o que me levou a institucionalizar (casamento civil) a minha relação afetiva com Antonio Baruty e migrei para João Pessoa, na Paraíba, em 1989”, recorda. “Felizmente, contei com vários apoios, de docentes e amigas da UFPB, sendo que meu companheiro sempre assumiu suas responsabilidades na paternidade e na divisão das atividades domésticas”.

Solange concluiu a graduação em História em 1991. E, por um período de cinco anos, atuou profissionalmente na Educação Básica. Em 1997, começou o Mestrado, pesquisando sobre Mulheres Escravizadas na Paraíba (2001), na Universidade Federal de Pernambuco, onde também realizou o Doutorado entre os anos de 2003-2007.

 

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Professora e coordenadora da Bamidelê, Solange Rocha. Foto: Arquivo pessoal.

Atualmente, é professora no Departamento de História da Universidade Federal da Paraíba, coordenadora do Programa de Pós-graduação em História da UFPB (Biênio 2017-2019), cofundadora e integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiras e Indígenas (NEABI-UFPB) e cofundadora e atual diretora da Bamidelê-Organização de Mulheres Negras na Paraíba.

 Solange Rocha é referência na luta das mulheres negras na Paraíba e no Brasil.

Quando começou a carreira universitária ainda não havia cotas raciais e sociais. Essa foi uma das lutas que Solange abraçou, principalmente, quando começou a trabalhar na UFPB. “Como sabemos, as vagas em ensino superior são poucas, raras e difíceis de adentrar em tal espaço. Nos anos 1980, não era diferente. Desde a adolescência tinha vontade de entrar na Universidade, mas não sabia como, posto que este era um tema distante da minha família, cujo cotidiano era pautado pela luta por sobrevivência.”,revela a historiadora.

“A luta por cotas raciais no Ensino Superior é uma antiga demanda do Movimento Negro brasileiro: remonta à primeira década do século XX”, explica a professora Solange Rocha. Foi somente em 1990 que o então senador Abdias Nascimento (1914-2011), um representante da população negra no parlamento, passou a difundir a necessidade de democratização da educação superior, por meio de políticas públicas, denominadas de Ações Afirmativas, como já havia ocorrido em diferentes países. “A ressonância de seu discurso ocorreu a partir do governo petista (2003-2015), que tinha compromissos com o Movimento Negro, e seguiu, também, uma tendência que se iniciou em 2002, nas Universidades Estaduais do Rio de Janeiro e da Bahia, de inclusão de segmentos historicamente excluídos.”, afirma.

De acordo com Solange Rocha, que sempre esteva nas batalhas em prol do povo negro ao lado de seu companheiro de vida, como ela mesma refere-se a Antônio Baruty Novaes, na Paraíba, a luta pelas cotas raciais foi dura, uma vez que a comunidade universitária se colocou contrária ao primeiro projeto, apresentado em 2006. “Anos depois, em 2009, após a adesão da UFPB ao Programa de Reestruturação das Universidades Federais/REUNI (2008), e apoiados num movimento de docentes da própria UFPB em parceria com a sociedade civil, é que conseguimos aprovar as cotas sociais e raciais na instituição. Mas, esta política pública foi inconclusa, visto que nunca avançamos para se ter uma Comissão de Monitoramento e Avaliação das Políticas de Cotas e nem um compromisso da UFPB de garantir a Permanência Estudantil de Cotistas”, explica Solange. “Os Movimentos Negros brasileiros também destacam como avançamos pouco, pois a luta era para cotas raciais, posto que há uma sub-representação da população negra em todos os espaços sociais,” coloca a professora.

 

A trajetória afro-diaspórica

Fora da universidade, Solange Rocha sempre atuou no movimento negro. Ela define sua trajetória como afro-diaspórica, ou seja, em constante mudança. Solange e seu companheiro moraram em três regiões diferentes do Brasil. O primeiro grupo do qual ela participou foi o Grupo de Consciência Negra em Londrina, nos idos de 1984/86, já em companhia de Antonio Baruty. Depois disso, eles foram para Campinas, em São Paulo, em 1988/89, onde participaram, pontualmente, do Movimento Negro Unificado. O mesmo ocorreu em João Pessoa, na primeira fase que Solange morou na Paraíba entre os anos de 1989 a 1991. Em seguida, o casal mudou, mais uma vez. Em São Paulo, militaram, ativamente, no Núcleo de Consciência Negra da USP (entre 1992 a 1996). No ano de 1997, decidiram se estabelecer definitivamente na Paraíba e, partir de então, passaram a compor o Movimento Negro da Paraíba/MN-PB, sob a coordenação de João Balula. “Particularmente, passei a frequentar o Grupo de Mulheres Negras da Paraíba em 1998 e também das atividades do Movimento Negro paraibano e do Movimento de Mulheres da Paraíba”.

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Solange Rocha e sua família. Foto: Arquivo pessoal.

Com a institucionalização da Bamidelê, Solange começou uma nova jornada coletiva, sempre em diálogo com os movimentos negros e feministas, em diferentes âmbitos – local, nacional e internacional. “Em 2001, refundamos o grupo como uma ONG, com vistas a realizar projetos sociais.”, conta a militante social. Durante cerca de dez anos, a Bamidelê desenvolveu projetos com mulheres (crianças, adolescentes e adultas) das áreas urbanas (Santa Rita e João Pessoa) e rural (Alagoa Grande). No início da Bamidelê, por volta de 2003, elas adquiriram a atual sede da organização, que fica no centro de João Pessoa. “Desde então, temos realizado ações políticas de afirmação da identidade negra, a exemplo da Campanha de Promoção da Identidade Negra (2009), que possui um total de quatro edições. Outra importante ação política da Bamidelê, tendo Terlúcia Silva como coordenadora e que esteve representando e desenvolvendo inúmeras atividades de organização, envolveu a criação do Comitê Impulsor da Marcha das Mulheres Negras/Paraíba, reunindo variados segmentos dos movimentos sociais e sindicais do estado paraibano. Nesse processo de organização da MMN, destaco a realização do I Encontro Paraibano de Mulheres Negras, ocorrido em 25 de julho de 2015, quando foi produzida uma Carta Manifesto com as demandas políticas das mulheres negras.”, ressalta.

 

Bamidelê: ancestralidade e cultura afro-brasileira

A Bamidelê é parte significativa na luta pelos direitos das mulheres negras na Paraíba. As idealizadoras do coletivo foram Maria José dos Santos/Mazé e Éfu Nyaki, que, na época, estavam vinculadas aos Agentes da Pastoral Negros – APNs. O nome escolhido Bamidelê é um vocábulo da África Ocidental e, segundo Solange, permite o reconhecimento da ancestralidade africana. “A Bamidelê tem identidade própria e seu principal objetivo é o de desenvolver trabalhos com mulheres negras, nas zonas rural e urbana, e de refletir sobre o tema da discriminação racial, visando trazer os valores da ancestralidade africana e da cultura afro- brasileira”, informa.

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Solange Rocha em reunião do Movimento de Mulheres Negras da Paraíba. Foto: arquivo pessoal.

As organizadoras da Bamidelê sempre acreditaram na educação como meio para difundir conhecimentos sobre a história da população africana e afro-brasileira e para construção e melhora da autoestima e do empoderamento de mulheres negras de diversas faixas etárias, no sentido do enfrentamento das adversidades comum em sociedades racistas como a brasileira. “Destaco que a Bamidelê é uma organização que tem como missão e projeto político contribuir para o enfrentamento do racismo e do sexismo, buscando a equidade de gênero numa perspectiva racial. A palavra Bamidelê é de ancestralidade africana (Iorubá) e um dos seus significados é Esperança, aproximando-se do significado de “Esperançar”, ou seja, uma esperança ativa que busca a realização, conforme nos ensina Paulo Freire (1921-1997), o patrono da Educação brasileira.”, afirma a ativista.

Além de Paulo Freire, entre as referências de Solange Rocha na luta do povo negro estão Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Clóvis Moura e Abdias Nascimento. Para ela, o livro A sociologia do negro brasileiro (1988) a estimula a ser uma pesquisadora-ativista, ou seja, produzindo cientificamente em diálogo com a Academia.

E a produção acadêmica de Solange é vasta. Ela tem pesquisas de Mestrado e Doutorado que foram premiadas. Entre elas: Gente Negra na Paraíba oitocentista: população, família e parentesco espiritual, publicado pela editora Unesp, em 2009, que ganhou o Prêmio Melhor Tese de História, da Associação Nacional de História (ANPUH) no biênio: 2007-2009; Antigas Personagens, Novas Histórias: memória e histórias de mulheres escravizadas na Paraíba oitocentista, inscrita no Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, em 2006. As mais recentes produções são:  um livro coorganizado com Isabel Reis, Diáspora africana nas Américas, pela Editora UFRB; o capítulo de livro, em coautoria com o professor Elio Flores, Trajetórias comparadas de homens negros de letras no Brasil: ensino de história, biografias e sociabilidades; Nas confluências de Axé: refletindo os desafios e possibilidades de uma educação para as relações étnico-raciais, João Pessoa: editora do CCTA, em 2015, e o artigo científico, também com Elio Flores, Da teoria ao ato: refletindo sobre educação, reconhecimento e antirracismo publicado na revista Política & Trabalho do PPGS, da UFPB e Mulheres Negras no Brasil escravista e no pós-emancipação, da editora Selo Negro. “Este último texto foi publicado, em 2016, na língua inglesa. “Fico satisfeita de saber que leitoras(es) poderão conhecer a ousadia e resistências de Gertrudes Maria, Juliana, Salustia e outras mulheres negras paraibanas, que se colocaram contra a opressão escravista.”, ressalta Solange.

Quanto à sua dissertação de mestrado, Na trilha do Feminino: condições de vida de mulheres escravizadas na Província da Parahyba, 1828-1888, ela será publicada em 2018. “Este trabalho foi defendido na Universidade Federal de Pernambuco, em 2001, e ainda há uma procura por estes meus escritos, de forma que estou atualizando a historiografia e pretendo lançar esse ano,” conta.

Solange Rocha começou a atuar politicamente em um momento em que o Brasil saía de uma ditadura civil-militar e caminhava rumo à democratização. Passados 33 anos, a jovem democracia brasileira, mais uma vez, sofre um novo golpe, com a chegada ao poder de Michel Temer. E a resistência das mulheres negras tem sido essencial, e basilar, para lutar contra a desigualdade que vem permeando as relações sociais. Solange Rocha faz parte desta resistência. Ela segue ecoando sua voz, em busca de um mundo sem racismo, sem sexismo e pelo bem viver.

 

 

 

 

 

 

 

Beto Quirino lança campanha para construção da Casa dos Artistas na Paraíba

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Beto Quirino. Foto: Marcio Muniz

Por Mabel Dias

O ator paraibano Beto Quirino lançou esta semana uma campanha nas suas redes sociais para sensibilizar governos e a sociedade em relação à construção de uma Casa dos Artistas na Paraíba.

“Nós temos uma demanda bem expressiva de artistas que estão nas ruas e que precisam de um local para ficar e para continuar a desenvolver suas atividades. A ideia é que ela funcione nos moldes do projeto Cidade Madura, que o governo do estado da Paraíba construiu para os idosos, e não seria só para os artistas que nasceram na Paraíba, mas todos aqueles que morem aqui e precisem de um abrigo”, informa Beto.

Entre os artistas que precisam atualmente de amparo, Beto Quirino citou os músicos Beto Batera e Parrá e o ator Sávio Rolim, que ficou conhecido nacionalmente através do filme Menino de Engenho, do diretor Walter Lima Júnior, em 1970. “Vamos fazer um levantamento com os artistas de cada área que estão na ativa para saber realmente quantos temos nestas condições de desamparo, sem trabalho, e podermos planejar e efetivar a construção da casa”, disse. No Brasil, segundo Beto Quirino, apenas o estado do Rio de Janeiro conta com um espaço para aqueles artistas que não tem condições financeiras e de saúde morarem.

A campanha já conta com o apoio de atores e músicos de vários estados brasileiros, entre eles, Seu Pereira, Pedro Osmar, Dida Fialho, Escurinho, Adriano Garib e Marcos Wainberg. “Em 2017, apresentamos um requerimento na Câmara de Vereadores, solicitando a construção da casa e uma audiência com o prefeito, mas ele foi rejeitado”, diz o ator. Uma audiência pública foi realizada em novembro de 2017, convocada pela vereadora Sandra Marrocos, na Câmara de Vereadores para discutir o tema, e contou com a participação de vários artistas e do, na época, vice-secretário de Cultura da Paraíba, Milton Dornelas.

“Continuo mobilizado nesta luta há dois anos e sei que temos muito chão pela frente, mas a construção de uma casa dos artistas na Paraíba é muito importante, os artistas não podem continuar desamparados como estão. A casa será um espaço, não só de acolhimento, mas também para o artista continuar realizando o seu trabalho”, afirma Beto Quirino.

 

 

 

 

Em tempos de conservadorismo, a jovem escritora Débora Gil Pantaleão quebra preconceitos e acredita na literatura para mudar o mundo

Por Mabel Dias

Com apenas 28 anos de idade, a escritora Débora Gil Pantaleão já publicou cinco livros. Os mais recentes são: Vão remédio para tanta mágoa (2017— poesia), Nem uma vez uma voz humana (2017— contos) e Sozinha no cais deserto (poesia – 2018). Estes livros foram publicados através de sua própria editora, a Escaleras, inaugurada em 2017 e lançada no I Encontro Nacional Mulherio das Letras, que aconteceu em outubro desse mesmo ano na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba.

“O maior potencial da Editora Escaleras é o fato de focar na publicação de mulheres (cis ou trans). Uma forma de dar espaço a essas mulheres (nós mulheres) tão agredidas rotineiramente por uma sociedade patriarcal e machista. Tenho, com a Escaleras, o humilde objetivo de fazer a revolução no mercado editorial da Paraíba e do Nordeste. E, acredito que isso tudo pode ser possível porque não andamos sós. Está aí o Leia Mulheres, o Sarau Selváticas, pra mostrar isso… Muitas pessoas, homens ou mulheres, já abraçaram a ideia e sou muito grata por isso.”, conta a ousada Débora Gil.

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Débora Gil Pantaleão e alguns de seus livros. Foto: Agustina Arán

O Sarau Selváticas é organizado por ela e pela poeta Anna Apolinário. Elas receberam recentemente o reforço de Aline Cardoso, que também escreve poesias. O Selváticas tem o objetivo de divulgar os trabalhos literários de mulheres.

O desejo imenso em escrever, que acompanha a jovem escritora e também poeta, surgiu “desde quando se entende por gente”, como ela mesma diz. Desde criança, Débora Gil Pantaleão escreve sobre a existência humana, que, para ela, sempre doeu muito. “Agora está até melhor”, ressalta. A partir de 2015, depois de ter lançado seu primeiro livro, o Se eu tivesse alma (poesia), escrever realmente virou rotina para ela. “Nem me imagino parando. A literatura, pra mim, é o meu aparelho respiratório: se tirar, já era. E olha que já pensei…”, conta.

Além da literatura, outra paixão de Débora Gil é a psicanálise. Este entusiasmo surgiu quando a escritora assistiu a uma aula da disciplina Psicologia da Educação, ministrada pela professora Carmen Sevilla. “Antes, eu acreditava que um ser humano não poderia ajudar outro. Cheguei, em 2014, falando isso pra minha psicanalista (risos). Acabou que fui emendando mestrado com doutorado, e a graduação em psicologia ainda está em aberto… Quem sabe antes dos 50, né?! Além dessa disciplina, tive realmente contato com a análise em si que me fez ver o quanto isso é grandioso e eficaz, o quanto isso melhorou e mudou minha vida”, conta. Mas, até começar a atuar como psicanalista, ela diz que será uma longa estrada. Neste ano de 2018, ela já tem 2 livros de poesia prontos e um projeto com poemas bem curtos que serão ilustrados por Layla Gabrielle, num formato mais artesanal. “Este último é um desejo que tenho de sair em viagem, vendendo os livrinhos e divulgando. Quando Layla topou ilustrar, fiquei bem feliz. Na prosa, tenho uma ideia pra um romance e já estou fazendo minhas pesquisas”, informa.

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Débora Gil, Anna Apolinário e Aline Cardoso, organizadoras do Selváticas. Foto: Milena Medeiros

Para Débora, a literatura e a educação caminham juntas e são importantes para a formação do ser humano. Não é à toa que, além de escritora e editora, ela foi professora substituta na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em Campina Grande em 2017. Ela também já ministrou aulas de inglês em cursinhos de línguas estrangeiras em João Pessoa. “Se nós lêssemos mais literatura, acredito que não teríamos chegado ao ponto que chegamos em relação a conjuntura atual do Brasil. Ou, talvez, esteja iludida.”, afirma.

A ideia de criar a própria editora surgiu depois que começou a atuar como coeditora na revista independente Malembe, que ela realiza junto com os poetas Carlos Nascimento e Guilherme Delgado, e, também, após uma viagem para São Paulo. “Vi que gostava muito de selecionar o material e de trabalhar com capa, revisar diagramação etc. Quando fui para São Paulo, em 2016, tive um contato mais próximo com a Editora Patuá, que tanto admiro, com a Benfazeja e com escritoras como Ana Rüsche, que tinham seu próprio selo editorial. Vi que também era possível eu ter o meu. Sentia que levava jeito pra coisa”, informa. Ao voltar para João Pessoa, ela fez dois cursos de Educação a Distância pela Universidade do Livro, um de Produção Editorial e outro chamado Como montar e manter uma pequena editora. “Levei a sério a brincadeira. Na verdade, às vezes me acho meio louca por isso. Outras vezes, corajosa e ousada. A questão que me fez, no fim das contas, tomar uma decisão foi a seguinte: devo me suicidar ou abrir a editora e dedicar o resto da minha vida a isso? Se estou respondendo essa entrevista a vocês, já sabem qual foi a minha escolha.”, diz a poetisa, em tom irônico. Entre as autoras que buscaram a sua editora para publicar está a ganhadora de quatro Jabutis, Maria Valéria Rezende, que lançou, em novembro de 2017, o livro Histórias nada sérias, em João Pessoa.

Débora Gil Pantaleão transita tranquilamente pela literatura, pela educação e pela psicologia. Porém, segundo ela, quando concluiu o ensino médio, não sabia muito bem o que fazer. Pensou em cursar Jornalismo e, no mesmo período, tentou Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), e acabou sendo aprovada. “Cursei um ano bem meia boca, já sabendo que não queria aquilo. No ano seguinte, tentei Letras novamente e deu certo. Mas era bem porque eu gostava de ‘música internacional’, como eu dizia, embora já gostasse de literatura. Nessa época, eu lia Agatha Christie, Sidney Sheldon, Stephen King… Por influência de dois primos queridos, Sheldon Miriel e Eric Gil”, diz. Dentro do curso de Letras, ela foi se encontrando e vendo que, mesmo não curtindo muito a língua em si, era apaixonada mesmo por literatura. Atualmente, Débora Gil Pantaleão é doutoranda em Letras, na mesma área em que estuda psicanálise.

Em tempos de conservadorismo, repressão e violência, a escritora se identifica enquanto negra e assume publicamente a sua orientação sexual. “Sou negra, mas não sou lésbica, embora adore dizer que sou sapatão/sapatona. Engraçado como todo mundo acha isso… Que sou lésbica… Mulheres ou homens. Sou bissexual, na verdade (risos). Sempre fui”, relata.
Segundo ela, ser negra, mulher e BI é muito doido e doído. Débora Gil Pantaleão conta que durante 27 anos da sua vida se sentia feia. “Embora sempre tenha me achado interessante (acho que eu investia nisso pra amenizar o sentimento de feiura – risos), quando nasci, conta minha mãe, as vizinhas (morávamos no interior) chegavam pra ela e diziam que eu parecia com a minha avó paterna, negra de não molhar o cabelo quando mergulhava no rio!. E minha mãe, clara, do cabelo liso. Sei que ela se importou demais com o que os outros diziam e acabou que passou a tentar afilar meu nariz, ainda bebê. Ela fazia massagens e também colocava pregador de roupas no intuito de diminuí-lo. Isso, sei porque ela mesma contou e só, em análise, descobri de onde vinha essa minha imagem inconsciente, de me sentir feia. Claro que ela contou rindo e nunca teve ideia da carga de preconceito que havia ali, não dela exatamente… Até porque ela casou com um negro”, lembra.

O relato de Débora lembra o que muitas meninas negras sofrem por causa do preconceito racial, muito presente na sociedade brasileira. Quase todos os dias, sabemos de casos de racismo com crianças, adolescentes e jovens, negros e negras, em diversos ambientes. Entre eles, a escola. E esse preconceito, que a sociedade impunha à mãe de Débora, a fazia se sentir culpada, até chegar ao ponto de querer “embranquecer” a filha. Hoje em dia, Débora se sente muito bem com sua cor, com seu corpo e com sua mãe. “Façam análise! Defendo muito esse cuidado consigo mesmo, que não deixa de ser também um cuidado com o(s) outro(s), ao lado da militância.”, defende.

Em relação à bissexualidade, de acordo com ela, o problema passa a ser o preconceito que não vem apenas de héteros homofóbicos, mas de nossos próprios amigos e amigas gays/lésbicas. “Alguns dizem que isso não existe, que é indecisão, que é putaria. Nada contra coisas que não existem, indecisos e putarias, mas asseguro: não é. Bissexuais, uni-vos!”, diz em tom humorado.
Para Débora Gil Pantaleão, “a coisa piora” por ela ter cabelo curto, alargadores e tatuagens e, dependendo da roupa que estiver vestindo, as pessoas vão olhá-la diferente. “Ah, mas se eu tiver usando um crachá com uma função importante, então estou salva. É desta forma que a sociedade burguesa nos enxerga. Não pelo que somos, mas pelo que temos”.
No entanto, Débora Gil tira isso, literalmente, de letra!

Sobre esse cenário fascista que vivemos hoje no Brasil, ela diz ter medo. “Me assusto muito com o discurso que ouço de alguns na rua, seja enquanto estou lanchando ou em locais de trabalho. A bancada evangélica querendo dominar o governo e enfiar suas crenças goela abaixo. E aí a educação continua sendo o melhor caminho. O que levo para meus alunos que são ‘Bolsomito’ é a oportunidade de reflexão. Digo sempre, pra todos eles, que quero que eles reflitam… Que não apenas absorvam o que eu falar ou que algum pastor evangélico falar… Que eles reflitam e com cuidado. Que o direito de um não pode nem deve retirar o direito do outro. É difícil, mas não me calo!”, afirma a resistente escritora Débora Gil Pantaleão.

 

 

 

 

18 de Maio: Ações na Paraíba marcam o mês da Luta Antimanicomial

Avanços na política de saúde mental no Brasil estão ameaçados pelo Governo Federal

Por Mabel Dias

Criada em 2015, a Frente Paraibana Antimanicomial tem atuado para barrar os retrocessos da política de saúde mental proposta pelo Governo Federal que prevê, entre outras coisas, a expansão de leitos psiquiátricos no Brasil. Diversas atividades foram realizadas na Paraíba durante o mês de maio para reforçar a importância da rede de atenção psicossocial no país e denunciar os atrasos que vem acontecendo.

“Os principais retrocessos com as mudanças na política de saúde mental são ampliação do financiamento de comunidades terapêuticas, instituições asilares que atuam a partir do isolamento de usuários de drogas, ampliação de financiamento da rede hospitalar em detrimento da rede de atenção psicossocial, e principalmente, retrocessos na política de desinstitucionalização, onde os municípios passam a deixar mais os usuários no hospital e não na vida em comunidade”, informa Luciana Maria Pereira de Sousa, integrante da Frente Paraibana Antimanicomial.

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Ato Antimanicomial no Parque Solon de Lucena. Foto: Luciana Pereira.

Entre as ações realizadas no estado está o Ato Político-Cultural da Luta Antimanicomial, no Parque Solon de Lucena, em João Pessoa, que reuniu trabalhador@s, militantes, estudantes, usuári@s e pessoas engajadas com as políticas de saúde mental em variadas expressões do cuidado, loucura e resistência, no dia 16 de maio. O Ato foi organizado pelo Coletivo SUStentando Nossa Malucidez, Frente Paraibana Antimanicomial, PalhaSUS, Grupo Loucura e Cidadania, Centro Acadêmico de Terapia Ocupacional, Comissão de Saúde Mental do CRP, Chega Junto, Associação de Terapeutas Ocupacionais da Paraíba(ATOPB), Residência Multiprofissional em Saúde Mental, Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade, entre outros, além da parceria do CREFITO-1, da Parahybólica Cultural, da Comissão Organizadora do I Encontro de Saúde Mental das Mulheres, d@s trabalhador@s, usuári@s e familiares da Rede de Atenção Psicossocial de João Pessoa e região metropolitana.

“É importante ressaltar que vivenciamos uma semana de mobilização sobre a saúde mental. No qual, é concretizado pelo dia 18 de maio, dia da Luta Antimanicomial no Brasil, firmado, desde 1987, no Congresso de Trabalhadores da Saúde Mental, no município de Bauru, em São Paulo. Estamos na luta para dizer não aos manicômios e as violências que estes lugares proporcionam”, afirma Luciana Pereira.

Outra ação realizada na Capital foi a 8ª Marcha da Luta Antimanicomial, organizada pela Coordenação Estadual de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba, no Busto de Tamandaré no dia 18 de maio. Participaram do evento estudantes de Terapia Ocupacional, da UFPB; da Maurício de Nassau; da Faculdade de Enfermagem; do Unipê; usuári@s e funcionári@s do Juliano Moreira e dos Caps de Sapé, Bayeux, João Pessoa, Santa Rita, Cabedelo, Ingá e Pedras de Fogo. A marcha contou também com a presença d@s responsáveis pelo canal do Youtube “Juro que Posso”, focado em temas ligados a saúde mental.

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Marcha Antimanicomial no Busto de Tamandaré. Foto: Mabel Dias.

“A marcha é o momento de mostrarmos a sociedade que estas pessoas podem conviver tranquilamente e merecem ser tratadas com dignidade e respeito”, afirmou a coordenadora de saúde mental do estado, Shirlene Queiroz.

Antônio Bezerra é o presidente da Associação Cabedelense de Saúde Mental, em Cabedelo. Ele participou da Marcha em João Pessoa. Em 2011, ele fundou a associação para lutar por políticas públicas para a saúde mental. “Minha filha já foi internada em manicômios e foi um sofrimento muito grande. Com a implantação dos Caps ela passou a ter um tratamento humanizado e nunca mais teve crise”, relata.

Para a professora do curso de Direito da UFPB e coordenadora do grupo de pesquisa e extensão Loucura e Cidadania, Ludmila Correia, existem muitos desafios para a luta antimanicomial e o principal é a consolidação da rede de atenção psicossocial no Brasil, que tem sofrido muitos retrocessos através de portarias ditadas pelo Governo de Michel Temer. “A emenda complementar 95 que congela os gastos públicos com saúde e educação emperram o avanço dos serviços em saúde mental no Brasil e o governo federal tem duplicado o valor de internações nos hospitais psiquiátricos, ao invés de fortalecer a rede de atenção psicossocial”, revela.

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Marcha Antimanicomial no Busto de Tamandaré. Foto: Mabel Dias

Na Paraíba, @s ativistas da Luta Antimanicomial tem a frente uma de suas principais lutas: o fechamento do Instituto de Psiquiatria da Paraíba (IPP). Denúncias de tortura e maus tratos com as mulheres internas, falta de higiene, esgoto a céu aberto, infiltrações e precária estrutura física foram algumas dos problemas encontrados no hospital. Devido a isso, no dia 15 de maio, o Comitê Estadual para Prevenção e Combate à Tortura na Paraíba publicou uma nota em apoio à Secretaria de Saúde de João Pessoa pelo encerramento do contrato com o Instituto. A medida já havia sido recomendada pelo Ministério Público Federal na Paraíba (MPF-PB) como resultado da vistoria realizada em conjunto com o Conselho Regional de Medicina da Paraíba, o Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba, o Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba, a Coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba, a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB) e a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa.

Em entrevista ao site Carta Maior, a psicóloga Lumena Almeida Castro Furtado, afirma que o governo de Michel Temer alterou um consenso na política de saúde mental que existia desde o fim da ditadura militar, através de uma portaria interministerial publicada em 2017. “Essa portaria que foi publicada no final do ano passado pelo Ministério da Saúde recoloca hospícios, hospitais psiquiátricos e comunidades terapêuticas no centro da rede de cuidados. É uma portaria que corta, absolutamente, todos os avanços que o Brasil fez nestes 30 anos”, avaliou a psicóloga, que atua há 20 anos com Saúde Pública no estado de São Paulo.

Confira a matéria completa no site da Carta Maior: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Saude/Retrocessos-na-politica-de-saude-mental-ameacam-tres-decadas-de-avancos/43/40286

 

 

 

 

Espaço Transverso realiza Sarau Antimanicomial nesta sexta

Por Mabel Dias

O mês de maio marca o Dia de Luta Antimanicomial no Brasil, celebrado no dia 18. Diversas atividades estão sendo realizadas na Paraíba para lembrar a data e propor mudanças no modo de tratamento das pessoas que sofrem transtornos mentais.

Neste sentido, o Espaço Transverso, nos Bancários, realiza às 20h,  o Sarau Antimanicomial, reunindo as poetas Aline e Georgia Cardoso, o músico Chico Viola e os também poetas Filosofino e Carlos Araújo.

“Compreendemos que a relação entre arte e saúde, não só mental, é extremanente potente, funcionando muitas vezes, como suporte subjetivo e de reconhecimento de si, como um dispositivo de libertação, de afirmação, de desejo, de criação. Pretendemos potencializar esse tipo de encontro no espaço, tornando-o cada vez mais frequente”, explica a psicóloga Cristiane Barbosa

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O Espaço Transverso, inaugurado no dia 11 de maio, surgiu com a proposta de atuar na formação, psicoterapia e práticas integrativas, explica Cristiane. Além disso, o espaço tem apostado em atividades lúdicas e culturais para fortalecer-se como um espaço de troca, de convivência com outros atores. O Espaço Transverso funciona na Rua coronel Cesariano da Nóbrega, 139, Bancários. A entrada no sarau é gratuita.

Conselho e Movimento Feminista denunciam descaso da Prefeitura de João Pessoa com a Secretaria de Mulheres

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Reunião do Conselho Municipal de Mulheres de João Pessoa.

Por Mabel Dias

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e o Movimento Feminista de João Pessoa reuniu-se de maneira extraordinária nesta quarta-feira, 23, para debater a falta de ação e apoio da Prefeitura da Capital em relação à Secretária Extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres, que mais uma vez, está sem gestora.

As conselheiras e representantes de vários grupos feministas locais afirmaram que a mudança constante de secretárias gera uma descontinuidade das políticas públicas para as mulheres, que já não são cumpridas pela atual gestão desde a saída da primeira secretária de mulheres do munícipio, Socorro Borges, em novembro de 2014.

“Nós estamos pensando para além da presença física de uma secretária; estamos preocupadas com o que conquistamos desde que a secretaria de mulheres foi criada em João Pessoa. Em 2014, foi criado o projeto Rua Lilás, onde 50% do que fosse arrecado na zona azul era destinado para o fundo municipal dos direitos da mulher. Não sabemos como isso está funcionando, para onde está indo este dinheiro?”, questiona Terlúcia Silva, integrante da Bamidelê – Organização de Mulheres Negras da Paraíba e da Articulação Nacional de Mulheres Negras.

Outro ponto levantado pelas mulheres durante a reunião foi a falta de autonomia financeira da Secretaria do município. “Os recursos da secretaria são ligados ao gabinete do prefeito, e são muito poucos. Mesmo que a secretária queira fazer algo, ela fica de mãos amarradas”, afirma a conselheira Guia Lima.

Guia ressaltou ainda o receio das conselheiras e das feministas que a Secretaria seja extinta, pois o prefeito Luciano Cartaxo não tem mostrado compromisso  político em relação às políticas públicas para as mulheres. “Nacionalmente, estamos vendo o que o governo de Michel Temer fez com a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, ela praticamente não existe mais. Aqui em João Pessoa o quadro é preocupante!”, ressalta a conselheira.

A última secretária de mulheres de João Pessoa foi Lídia Moura, que deixou o cargo em abril. Antes dela ocuparam o cargo Giucelia Figueiredo – que deixou a pasta após Luciano Cartaxo sair do PT e se filiar ao PSD, partido aliado de Michel Temer, e Adriana Urquiza, que também foi secretária adjunta de mulheres ao lado de Socorro Borges.

De acordo com o site da Prefeitura de João Pessoa, as ações da Secretaria Extraordinária de Políticas Públicas para as Mulheres são desenvolvidas através de quatro eixos: educação, saúde, direitos sexuais e reprodutivos, trabalho e enfrentamento à pobreza e enfrentamento à violência contra a mulher. Em todos os eixos, são descritas as atividades que cada eixo deve realizar. Observando apenas dois, saúde, direitos sexuais e reprodutivos e enfrentamento à violência contra a mulher, pecebemos que ações em relação à saúde mental das mulheres, e a realização de programas de rádio para as emissoras internas da Prefeitura, direcionados para os/as servidores/as municipais, tendo como foco a intervenção e sensibilização para prevenção da violência contra a mulher não são realizadas. “Qual a política da Prefeitura de João Pessoa em relação à saúde mental das mulheres? Gostaríamos muito de saber, porque não vemos nada ser feito em relação a isso.”, afirmou uma das conselheiras durante a reunião.

Em um post publicado em sua rede social no dia 10 de maio, a ativista Anna Rosa, denunciou uma enfermeira gritando com três gestantes que estavam prestes a dar à luz, na Maternidade Cândida Vargas. “Fui visitar uma comadre na maternidade e vi esta cena. O que parecia um culto ou exorcismo trazia um clima de tensão e pavor. Parei para escutar e, pensei que fosse mentira, mas não, frases como: ‘Jesus disse na bíblia que as mulheres como pecadoras, iriam sentir as dores do não sei o quê… Pelo amor da Deusa, em que século estamos??? Essa é a maternidade de referência? Como é que esses inquisidores ainda atuam oficializados??”, questiona.

 

 

 

A resistência da MC Pretinha

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MC Pretinha: há 28 anos fazendo rap feminista e antirracista na PB.

Por Mabel Dias

Ela é considerada a primeira rapper feminista da Paraíba. Pretinha, Princesa Raquel ou MC Pretinha vem atuando no movimento hip hop desde os anos 90. Ela deu uma parada por alguns anos, mas em 2017, Pretinha retomou seu trabalho e voltou a se apresentar ao lado de outros artistas paraibanos, como Escurinho e a banda Pau de dar em doido, no projeto “Ciranda de Maluco/a”, organizado pelo músico Escurinho.

A MC Pretinha gravou algumas de suas composições em duas coletâneas, a Caravana Hip Hop, em 2000 e em outra, ela gravou 4 faixas, com um produtor da cidade do Rio de Janeiro. As músicas de Pretinha falam, em sua maioria, no combate ao machismo e ao racismo. Raquel, que conta atualmente com mais de 50 composições, ficou um tempo fora da Paraíba e ao voltar passou a fazer e vender artesanatos. Atualmente, ela fica na Universidade Federal da Paraíba, no Castelo Branco, junto com seu filho, divulgando seu trabalho artesanal.

A retomada de Pretinha para apresentações em João Pessoa aconteceu em meados de outubro, no Beco da Cachaçaria Phelipeia, no Centro da cidade. Um vídeo circulou nas redes sociais, mostrando o trabalho de uma das mais importantes rappers feministas da Paraíba. A também rapper e feminista, Kalyne Lima, do grupo Sinta Liga Crew foi uma das responsáveis por divulgar o vídeo. Depois, ela se apresentou no Baile Black, na Hera Bárbara e na Ciranda de Maluca, no Quintal Armorial.

A fonte de inspiração de Pretinha é inesgotável. Ela vive as suas letras e as canta com uma força, que faz superar as dificuldades que enfrenta no dia a dia. Além disso, é difícil vê-la de mau humor e sua criatividade é latente.

Pretinha está com novos projetos para este ano de 2018, entre eles, de realizar novas apresentações, não só na Paraíba, mas também em outros estados brasileiros, ampliando assim a divulgação de sua arte. E continua aceitando convites para tocar em sua cidade.

Para o músico Jonas Neto Escurinho, a música de Pretinha é a própria resistência negra, um rap sincero e verdadeiro voltado para a massa popular.
“O trabalho de Pretinha é importante para a luta das mulheres porque toca diretamente numa ferida exposta que a sociedade finge não ver. É maduro e contemporâneo”, afirma.